De primeira
Luciene Braga
“resolveu tomar a última, com jeito de primeira. e assim era. de primeira.
de repente… o jogo das almas que se encontram, ou se esbarram, sem princípio, sem linha (do tempo). e quem disse que o começo do dia é pela manhã? “ousadia dos burocratas solares”, pensou, fazendo acrobacia na fumaça do cigarro.
desativou preocupação.
samba no fundo, gente que se levanta e passa. levanta e passa.
(que dá nas cabeças e nas cadeiras?)
luzes queimadas do bar lembram as da sala de casa. outras luzes acometem.
acendeu, porque não tinha jeito de entender aquele início de dia-noite com cara de fim.
começou a se tocar de que horas se passaram. falou das contas, da filosofia, do batom da outra, dos crimes de guerra e do cotidiano, citou autores para impressionar, tentou dizer o nome do cantor que soava baixinho, deu comida para o vira-latas entrão, trocou telefones e pensou que aquilo era bom, deu ânimo. ânimo da noite em transe. que transa.
a sacanagem da intensidade. intensidade na sacanagem. “sacanagem!”, encheu a boca.
“muita sacanagem”, escapou, desejando momento mais sublime, e soando como diálogo de filme nacional.
chorou. chorinho. e isso era bom, porque ria disso.
para início de conversa, desconversou.
levanta e passa.
atendeu celular, mas a bateria, claro, falhou.
estabelece (eta palavra), que dia vem.
feito jornal que envelhece fingindo novo.
no começo da rotina que se acaba, agradeceu: obrigada, pizindin, menino bom
(se tivesse de começar tudo de novo, subvertendo o calendário gregoriano, seria ao som dele, Pixinguinha)”

Aeee! Parabens pelo primeiro post!
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biofísicotransgênicocarnavalescosfosforilantesfundamentaislivremente.
Podemos tambem ser assim. srsrs
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