Segunda a Sexta

  • "Que a inspiração chegue não depende de mim. A única coisa que posso fazer é garantir que ela me encontre trabalhando."

    Pablo Picasso

    Tema do Mês: textos inspiradores

 

postMeu Rio

Gazza

Nasci na Zona Sul da cidade (até aí, as favas com essa informação). Mas há um sentido em contar essa história. Minha infância pelas ruas do Leblon e, obviamente, a faixa de areia entre a Rua Rainha Guilhermina e o Pontão, lá encostado na subida da Niemeyer, foi (e ainda é) uma das melhores fases da minha vida. Lá pelo início dos anos 70, moleque, numa época em que a única preocupação era apenas me divertir, eu só me divertia. E o que tem a ver a Zona Sul da cidade com isso? Na verdade, não é bem da região, mas dos encantos dessa cidade que eu quero falar. O Dois Irmãos ao fundo, a faixa de areia branca, as escadarias, o sol e o mar. Pura memória afetiva. Das boas. Construída numa relação de amor (por muito tempo não entendido) com o Rio. Claro, com os seus encantos servidos, sem qualquer cerimônia, a qualquer morador ou viajante.

 

Lá com meus seis, sete anos, perambulava pelas ruas do bairro sem ser incomodado. Passava, nas férias, claro, horas e horas na praia. Outras tantas horas, no mar. O sol do fim de tarde, um êxtase. Pedaladas livres pelo calçadão até o Arpoador, outra riqueza dessa cidade. Subia a Niemeyer para descer até a praia do Vidigal pelas pedras do Costão. Pura emoção. No Alto Leblon, as ladeiras serviam de palco para a adrenalina do skate sob os pés. Em outros momentos, descia na bicicleta mesmo. Não havia limites para o encantamento proporcionado por esse Rio.

 

Esse cenário, essa rotina, embalaram a minha infância. Cresci, vi muito dessa cidade ser castigado. Não por ela, jamais. Mas por muitos, que não deram certo. Por muitos que insistem em desviar dos caminhos do coração. Por muitos que insistem em lançar a mão pesada sobre benevolência natural dessa cidade.

 

Mas quem cruzou esse caminho natural com a cidade, seja na Zona Sul, na Zona Norte, sabe do que falo. Muito do que sou – talvez o melhor do que eu seja – nasceu na minha infância. Nasceu lá atrás, nas manhãs de verão ou inverno em que eu sabia, que lá fora, iria encontrar toda aquela exuberância. Eu não esqueci. Nem pretendo…

 

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13.03.09 em: Sexta