Comparti-la
Aline Leal
Ela pouco sabia dos seus sentimentos atuais e se perguntava como as pessoas podiam agir com a força de quem sai em defesa de um filho agredido. Vá em frente, lute por aquilo que você quer, pelos seus interesses. Mas quais seriam estes, afinal? E quanto custava escolher um destino que julgava tão alheio a si quanto uma ilusão de ótica. A vida, em sua juventude, mostrava-se ainda aberta a alguns caminhos, obscurecidos, no entanto, pela passividade de seus sentimentos. Mas o tempo corria e era preciso construir uma história; ainda que inevitavelmente frustrante, seria menos doloroso.
E a dúvida, manifesta em todos os campos de sua vida, atacava agora um ponto especialmente maltratado: o relacionamento amoroso. A crueza de seus sentimentos lhe permitira, uma vez, o êxtase da paixão: palpitante, sufocante, dolorosa. Podia-se dizer que tinha sido uma experiência feliz, mas depois de uma trajetória confusa de incompatibilidade com o outro, a coisa toda se dissolvera mais que tudo em arrependimento de suas atitudes. A conseqüência da insegurança de seus sentimentos e de sua vontade foi uma história não construída, uma semi-verdade, uma mescla de várias coisas que ficaram suspensas e que ela não sabia bem o que era, apenas que o resultado não lhe fora satisfatório e que ela não gostaria de repeti-lo.
Agora, ainda que o sentimento não a afligisse tanto da maneira que lhe era desejável, a reincidência de sua passividade chocava ao ponto da dor. O que valia a pena na vida: sentir ou não sentir; agir ou não agir? Parecia a ela que seria mais agradável reagir a um sentimento alheio, mas essa situação nunca lhe fora proposta e não parecia ajustável ao seu modo de viver, infelizmente. Mas o gesto da atitude parecia a iminência de um erro, e a decisão da imobilidade parecia o obstáculo para o progresso, desejado. Dúvida.
Assim, assumia uma idoneidade linear, que não empolgava. Não se tratava de não fazer questão, mas não arrumava força para lutar por aquilo que não tinha certeza. Então perdoava e não se manifestava, até que o sentimento se transformasse em estranheza e já não fosse possível comparti-lo. A ponte que seria necessária cruzar para chegar àquilo que nem sabia o que era que lhe fazia falta não era para ela um movimento natural. Mas, das dúvidas que a sufocavam até hoje seria necessário abrir uma fresta para a pouca certeza de que tinha.

Mesmo errando é mais fácil escolher o caminho certo depois de tentar. Essa dúvida que paralisa a gente só serve para nos atrasar ainda mais, porque aprendemos, sobretudo, com os nossos erros.
E relacionamentos devem sempre ser vividos!!! Não existe economizar sentimentos.
Beijos!!
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Adorei isso:
Mas o gesto da atitude parecia a iminência de um erro, e a decisão da imobilidade parecia o obstáculo para o progresso, desejado. Dúvida.
Beijos,
Raquel
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sensível e tocante. dúvida na essência…
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Dúvida: comentar ou não comentar. Comentei.
Muito bom, Awi, as usual…
Besitos
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Brilhante!!!
Enxuto, seguro.
Revela e oculta.
Lança no ar e deixa o leitor pegar.
Parabéns! Vá em frente, nesta linha.
Um beijo grande, Lúcia
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