Sem jardim
Luciene Braga
“Daqui do quarto vejo as flores que ele me deu, na sala
Apontadas pra o teto
Como elas, sobrevivo sem jardim
Inocência proibida
Na guerra de inteligências
Quero ser possível
E assim persigo dias
Para viver de verdade
Com tropeços
Medo e incertezas
Tenho água
E vergonha de acreditar que é simples assim
Minha coragem suicida
Permite que eu ainda diga a verdade
Mesmo que só para mim, vezes
Seria possível o deboche, um corte intelectual ou saída admirável para pensamentos combinados, estudados
Conheço a porta
Mas prefiro ficar comigo
Almoço vegetariano, coleta seletiva e cuidado com a casa grande
A noite chega para dar outra luz às flores
Ah, nem podem ficar comigo no quarto
Intoxicam
Sem entender, ultrapasso, sem fazer força e sem jardim
No texto de agora, em soluços e manhas, só amor me toma corpo, alma e futuro
Não há muitos com essa sorte, eu sei, eu queria que sim
Quase terminei o texto como não queria, falando algo engraçado (e era mesmo). Hoje não dá. Sorry.”
18.05.09 em: Segunda