Segunda a Sexta

  • "Aí você vê como tudo é frágil. Uma coisinha pode derrubar tudo"

    Chiquinho, do Mombojó, para a TRIP

    Tema da Semana: FRÁGIL

 

postUm dia na vida…

Gazza

Acordava às 5 da manhã, todos os dias. Era tão religioso seu despertar que há muito deixara de usar o despertador. O corpo já levantava sozinho do colchão de molas retorcidas de uma pequena cama. Seguia para o banheiro, colocava uma pequena toalha sobre o ombro direito e lavava o rosto. Pendurava a velha toalha de volta. Eram 15 passos até a cozinha. A mesa, posta de véspera, o esperava, como sempre: uma xícara, o pote de açúcar, uma margarina e dois pães franceses. Fazia o café. À mesa, o mundo parecia não ter qualquer sentido.

Em direção ao trabalho, era o mesmo trajeto de sempre. Um pacote com o almoço, o jornal debaixo do braço e um ônibus lotado. Chegava à fábrica às 6h30, pontualmente. Cumprimentava os colegas, seguia para seu posto na linha de produção e dali só saía para o almoço. Avesso as conversas, voltava à rotina após a rápida refeição. Às 16h30, batia o cartão, se despedia dos amigos e seguia em direção ao ponto do ônibus. Em casa, repousava sobre uma esfarrapada poltrona, chinelos no pé, à espera do noticiário. Cochilava e, pontualmente, acordava na hora do jornal.

Dali, seguia para a cozinha, onde comia algo para dormir. No dia seguinte, às 5h, novamente estaria de pé. Seus dias eram assim, sua vida era assim. Há mais de 45 anos.

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22.05.09 em: Sexta