E não digo
Aline Leal
Deitada assim ao seu lado, encolhida
Eu sinto esse choro contido, que aquece
o meu peito em vontade à verdade a ser dita
e não digo
Coalhado o meu sangue, emperra o vagido
Grosso ele desce, em baga, e eu sinto
A larva de alcance a tumor laríngeo
Como sem água tomar comprimido
E eu acho que agora eu quero um cigarro
Ou uma desculpa pela zangurrina
Peço que tirem as crianças da sala
Pois estou zonza, zonzinha e vou acabar caindo
Como em pesadelo eu tropece
Em meus nervos nervosos capote
Teça o mote e aposto: vou acabar caindo
E como sermão que repete
Voltar arrastando o cóquix
Então pra calar a boca
Eu que, sem ser louca
– mesmo tendo apreço, posto que me encanta –
Esqueço a janela aberta à papaia pubiana
E uma vez despida
A nudez esconde
tanta gordura contida
E eu continuo com fome
Alguém me traga comida

Aline,
Não vou mais conseguir comer mamão papaia. Oh, Céus!
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Adorei, Aline! E tenho dito!
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Amei Aline! Fiquei com os “nervos nervosos”.
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