Chuveiro
Tiana Maciel Ellwanger
Enchia a boca de água e espirrava na cara dele, que fingia defender-se. Ele fez o mesmo, usando da força para vingar-se como um profissional: água na cara até a respiração dela cessar. Engasgo e gargalhadas. Ela ria, querendo, mesmo que por segundos, ser mais forte e dominá-lo como uma judoca. Enchia então, levemente irritada e engraçada, a boca com a água do chuveiro, respirando fundo, para dessa vez não ser surpreendida com suas mãos grandes nas bochechas e outro engasgo atrapalhado. E quase conseguiu: mirou na testa e acertou na boca dele.
Ele superou as suas expectativas: pegou o chuveirinho e, certeiro, disparou em direção aos olhos, cor de mel e abertos, nada prontos para receber a ducha forte e gelada. Que doeu. E a dor deu força a ela: pegou o jato da mão dele e acertou no ouvido. Mais gargalhadas, dessa vez só dela.
- Que maldade, ele disse surpreso com a vingança.
- Maldade foi jogar água no meu olho, ela respondeu.
- Agora você vai ver o que é maldade, ameaçou.
E a colocou por cima dos ombros molhados, como um saco de batatas, em direção à cama. Ela fingia debater-se insinuando que não queria o que estava por vir. Vinte minutos depois, suspirava ainda tonta de prazer. Sorriso leve.
Tentava não soluçar no esforço de continuar escrevendo seu livro de memórias. Embaçadas pela saudade dos dias simples.
22.09.09 em: Terça
Lindo! Adorei o fim. Surpreendeu.
Beijos!
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Muito bom, Tiana, vou tentar aparecer mais aqui.E claro, ainda tenho que pensar em algo interessante pra fazer jus ao convite que você me fez. Excelente material o de vocês.
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É…o final é surpreendente.Água espirrando na cara.Olhos embaçados pela memória.
Quando os dias simples voltarão?
Bjs
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Com um final desses, quem vai querer sair limpo do banho?!
rsrsrs
Lindo lindo!!!
Beijão
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até chorei, no auditorio do Tryp Convention Meliá 21.
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