O texto
Luciene Braga
Em dois cantos do mundo, uma mulher doce e uma outra em secura alta.
Jovem e bela. Apaixonada.
A do ocaso, não tão radiante, também vive paixão, mas a plenitude de um fim que já dura.
O texto é o mesmo.
O tom de uma é quase um canto de dançar e só sabor de fruta exótica. Refrescante.
Da outra, um quase fado cortante. Angustia.
Um eco estranho a invadir minhas curiosas sequências de atenção, feito um jogo de futebol estranho, campos distintos. Um jogo. Elas são, juntas, o avesso.
Escuto, antes de dormir, suas vozes.
“Você chegou”
“Você chegou”
“Eu tremi”
“Eu tremi”
“Até choro de tão forte”
“Até choro de tão forte”
“Doi quente a vontade de arder em sua cama”
“Doi quente a vontade de arder em sua cama”
“Venha mais e mais e mais, meu bem”
“Venha mais e mais e mais”
