Segunda a Sexta

  • "Aí você vê como tudo é frágil. Uma coisinha pode derrubar tudo"

    Chiquinho, do Mombojó, para a TRIP

    Tema da Semana: FRÁGIL

 

postAté hoje

Aline Leal

Nós brigávamos ao ponto do confronto físico. Eu gritava em direção a ele, apontava-lhe  o dedo na cara, louca, o rosto molhado de lágrimas, soluçava num ritmo descompensado evidenciando toda a calma que ele me fazia perder. Raiva, ele me fazia borbulhar por dentro e eu me atirava para cima dele com tapas e socos.

 

A princípio, permanecia imóvel, o rosto ausente para a minha presença, mas, quando eu sentia que ele estava prestes a perder a razão e, ao menor indício de que viria para cima de mim, jogava-me no chão e olhava para ele com olhos de medo como se fosse um estuprador. Para Marcelo, Para!, gritava.

 

E ele se continha a poucos centímetros de me bater. Então vivenciávamos alguns minutos de um silêncio tenso, quando uma vibração passaria por nossos ouvidos. Eu então me levantava de um salto e enganchava-me em seu pescoço, beijava-lhe a face impassível, o melhor sabor. Ele permanecia alheio ao meu pedido de trégua, até que, finalmente, o rosto ainda tenso, carregava-me até a cama e fazíamos amor.

 

Aquela foi a paixão da minha vida, eu amava Marcelo loucamente e desejava me casar com ele, ter filhos e passar o resto dos dias sob aquele sentimento intenso, me imaginava abandonando tudo para viver só dele. Só que o motivo de nossas brigas, a sua propensão a buscar abrigo em outras mulheres, acabou me tornando uma mulher chata e amargurada, e ele seguiu em frente, me deixando, até hoje, parada naquele lugar.

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18.11.09 em: Quarta