O oitavo pecado
Luciene Braga
“Jamais fomos advertidos ou informados a respeito”, disse um dos alunos da classe dos que esperavam sursis para deixar a escola.
Com essa história bem escondida pelos mestres, pouco tinham a discorrer sobre o tema. Desapontados, tinham a certeza de que não obteriam bons resultados nos exames finais. Ensaiaram um levante, mas sabiam que não teriam argumentos ou mesmo força de motim para exigir mudança nos critérios de avaliação.
“Não precisamos desse tipo de educação fosca, traiçoeira”, defendeu o menor de todos, assustado com a coragem de reivindicar. A dura disciplina imposta gerava o medo mais gélido em todos. Afinal, eram praticamente crianças renascidas de crimes que mal entendiam ou até duvidavam ter cometido. Eram operadores dos geradores de ideias.
Na sociedade nem sempre capaz de manter o estado de vigília, era esse o seu pecado.
O esquecimento era, como dizia um dos mais entusiasmados mestres das aulas de virtudes estudadas, meio filho da preguiça. O contrário da certeza de ser ou valer. Era tentar ou dormir. E dormir era sempre mais confortável, quando conseguiam.
Aquele quadro despertou neles desejo. Muito desejo de superar.
Contra todos os seus projetos, aguardaram os exames, no tempo determinado, nas questões emboladas e preparadas para destruir seu mais nobre orgulho.
Eles se subestimaram mais uma vez.
23.11.09 em: Segunda
