Ode ao Cuidado
Tiana Maciel Ellwanger
Regou a planta na janela
Passou a blusa de cetim
Beijou o cachorro banguela
E pôs batom cor de carmim
Deu bom dia pro porteiro
Acariciou o gato azul
Depois andou bem ligeiro
Em direção à Zona Sul
Na praia chegou suada
Para o mergulho apreciar
Vestiu a roupa, molhada
N’areia ficou a sonhar
Viu o cuidar valorizado
Jardins, vidas e gente
Zelados, amados, esmerados
Quase tudo coerente
O casal se entreolhava
brindando a cumplicidade
Torcida pelo alheio
No peito, fidelidade
Abriu os olhos, realidade
Onde estava o cuidado?
Lixo, luxo, planta seca
Quase tudo abandonado
Grito, buzina, sofrimento
Ouvia o choro no ar
De onde vem esse lamento?
De quem parou de atentar
pra rua, pra casa, pra si
pra dentro da relação
Egoísmo tomou conta
até do pobre, coração
Em nome da independência
cultiva-se a solidão
Pega ela pelo braço
Pergunte como ela está
Repita sem embaraço
Que por ela quer zelar
Enquanto o amor durar
Porque amor sem zelo
é ficção, pode apostar
