Sã, flano
Luciene Braga
Eu tinha medo de virar mendiga ao envelhecer, até que vi o ator que fez o Raj (da Maya) dizer o mesmo.
Perdi o medo. Tenho companhia.
Também tenho medo de piolhos. Criança, pegava por telefone. Coço e imagino todos na minha cabeça que, vero, tem outras coisas.
Procuro versões de meus pensamentos, mais puros, mas não encontro. São tipicamentes quarentões.
Queria contar minhas histórias devagar, mas elas passam rápido pela cabeça e pelos olhos. Perco, como se perde um metrô. Mas o metrô passa de novo. Pensamentos gravados nem sempre retornam.
Conto, então, a curiosidade, os sentimentos penetrantes e saintes, os desejos, esses, tão pessoais que se encontram na coletividade criacionista.
Darwin decidiria, em bate papo com Einstein, quem venceria.
“Os mais adaptados”, dizia o evolucionista.
“Relativamente, pode ter razão”, respondia o outro, enfadonho, enquanto rabiscava fórmulas.
E eu flano férias. Flano tempo vago para viver, como pesquisar fantasias e horários de blocos. Interessa-me a folia e suas vibrações latinoafricanas.
Convido interessados e alegres. Também me disponho a festinhas e ações viris de amizade. Para isso me encaminho.
E isso inclui o carnaval.
