Olhos
Tiana Maciel Ellwanger
Olhos passavam pela rua, ligeiros, apressados. Cruzavam os meus, desconfortáveis. Talvez porque os encarasse. Ou me encarassem.
Ou não olhavam, mirando o chão e os próximos passos, os próprios passos.
Gostava dos olhares ansiosos, infantis, estupefatos com o mundo. Correndo, observando as pombas como se fosse a primeira vez. Estranhando o mundo como se fosse a primeira vez.
E dos velhos, meus preferidos. Olhos idosos são os melhores; dizem tanto tanto entre rugas; paz e experiência num abrir e fechar de pálpebras. Dor e risos profundos. Poderia apreciar olhos velhos para sempre, sem chegar nem perto de desvendar seus mistérios trancafiados entre os cílios. Por isso, gosto tanto de fotos de velhos, olhos de velhos.
E assim continuei, vendo olhos mesmo onde eles não existiam: nas árvores, nas casas, nas mangas no chão. A procura de almas nas ruas que me diziam e me olhavam sem que pudesse evitar. Sem que quisesse evitar.
02.02.10 em: Terça
Flanar pelos olhos das pessoas nos traz revelações.
Continuemos.
beijos
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pronto. agora vou dar para ver olhos em tudo tambem. tao suscetivel sou.#
(conversemos, pois, depois, sobre aquelas dicas. no fundo dos conformes, nenhuma sera valida e espero que entenda aos sorrisos)
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Tiana Reply:
fevereiro 9th, 2010 at 19:00
conversemos, pois, pois, acho difícil não serem válidas.
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Os olhos são a porta da alma. Saber olhar e ler olhares é uma forma de interagir.
“E assim continuei, vendo olhos mesmo onde eles não existiam” é simplesmente a constatação de que o mundo lhe espia, assim como você observa o mundo.
Quando você olha nos olhos de alguém, o que você vê são os seus olhos, é o seu olhar. Isto é flanar.
Bjs
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