Casquinha
Aline Leal
Se arrepender agora não faz o menor sentido. Não se arrepender significa criar casquinha na ferida. Já não tem mais jeito: o corte está exposto e só você sabe a profundidade. Com quem ousará compartilhar, quem saberá entender?
Flanou por pessoas, e a incapacidade de abrir-se o destruiu. Flanou por animais, e não encontrou identificação. Flanou por livros, que lhe deram fome, mas não o que comer. Flanou por si mesmo, e encontrou o vazio.
A cada vez, deixava uma fatia do coração e empilhava um pouquinho nas costas, sem que uma balança estabilizasse o quanto levava e o quanto era extraído. Não se sabe quando a primeira lasca foi separada, nem qual será a ultima fatia. Não se sabe até onde agüentará o peso nas costas.
03.02.10 em: Quarta
Acho que ninguém entende o que passamos na vida, mas o importante é achar amigos que, mesmo sem entender, nos apoiem e não nos julguem. Mas quem não passa por um dia flanando, com esse peso, essa preocupação de ser um incompreendido?
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Só a gente sabe a profundidade.
beijos
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Melhor pensar sobre do que atravessar a vida com o vazio inconsciente.
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Aline,
Seu conto “Casquinha” é o ato de tirar casquinha de diversas feridas que mal cicatrizaram, até ficar assim, o machucado exposto.
Escrever é quase isto, mesmo quando conseguimos fazer os outros rirem.
Bjs
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