Segunda a Sexta

  • "Aí você vê como tudo é frágil. Uma coisinha pode derrubar tudo"

    Chiquinho, do Mombojó, para a TRIP

    Tema da Semana: FRÁGIL

 

postCasquinha

Aline Leal

Se arrepender agora não faz o menor sentido. Não se arrepender significa criar casquinha na ferida. Já não tem mais jeito: o corte está exposto e só você sabe a profundidade. Com quem ousará compartilhar, quem saberá entender?

Flanou por pessoas, e a incapacidade de abrir-se o destruiu. Flanou por animais, e não encontrou identificação. Flanou por livros, que lhe deram fome, mas não o que comer. Flanou por si mesmo, e encontrou o vazio.

 A cada vez, deixava uma fatia do coração e empilhava um pouquinho nas costas, sem que uma balança estabilizasse o quanto levava e o quanto era extraído.  Não se sabe quando a primeira lasca foi separada, nem qual será a ultima fatia. Não se sabe até onde agüentará o peso nas costas. 

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03.02.10 em: Quarta



4 Comentários »

  1. Marina Duarte disse:

    Acho que ninguém entende o que passamos na vida, mas o importante é achar amigos que, mesmo sem entender, nos apoiem e não nos julguem. Mas quem não passa por um dia flanando, com esse peso, essa preocupação de ser um incompreendido?

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  2. Raquel disse:

    Só a gente sabe a profundidade.
    beijos

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  3. Tiana disse:

    Melhor pensar sobre do que atravessar a vida com o vazio inconsciente.

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  4. Lucia disse:

    Aline,

    Seu conto “Casquinha” é o ato de tirar casquinha de diversas feridas que mal cicatrizaram, até ficar assim, o machucado exposto.
    Escrever é quase isto, mesmo quando conseguimos fazer os outros rirem.

    Bjs

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