Segunda a Sexta

  • "Aí você vê como tudo é frágil. Uma coisinha pode derrubar tudo"

    Chiquinho, do Mombojó, para a TRIP

    Tema da Semana: FRÁGIL

 

postSem odor…

Gazza

Frágil essência
Eu, frasco de perfume

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03.09.10 em: Sexta

postVovô…

Gazza

Caminhava pelo quarteirão todos os dias. Era uma volta só, apoiado nos muros dos antigos prédios do Leblon ou pelas mãos dos porteiros. O mesmo ritmo, todos os dias. Mas nunca a mesma satisfação. Voltava para casa, a uma quadra da praia, com um discurso cada vez mais convincente, num italiano calabrês.

- Não tenho mais nada a fazer aqui, Cida. Eu tenho que partir – dizia o velho, melancolicamente.

E minha mãe começava a resmungar com os 89 anos do meu avô, um cego que já não acreditava mais na vida por aqui. Eu, sob a inocência da infância, achava graça em tudo aquilo, naquelas conversas.

Mas a graça foi tomando forma na medida em que crescia. Meu avô havia perdido a visão já com mais de sete décadas vividas. Havia lutado na resistência ao fascismo, imigrado ao Brasil, artesão de calçados. Um único amor na vida. Havia vivido tudo até chegar à cegueira. Cego, descobriu que a visão estava no coração, dentro de cada um. Que o invisível era o mundo que o coração não conseguia enxergar. As voltas no quarteirão e as conversas ranzinzas com minha mãe haviam tomado outra dimensão

E eu cresci cego.

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27.08.10 em: Sexta

postAusência…

Gazza

Doce
Meu leite derramado em seu corpo
Meu coração em seu ouvido
Passear por suas curvas
Lembrar seu gemido
Morder sua boca
Enxugar seu suor
Contar as horas em madrugadas
Acordar encaixado em suas pernas
Provocar seus seios
Beijar seus olhos
Entrelaçar suas mãos
Toda a sua ausência
Doce é a vida

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20.08.10 em: Sexta

postCaminhos…

Gazza

São duas
Juntas, entrelaçadas
Livres, independentes
São duas
Pra quem é de direita
Pra quem vai pela esquerda
São duas
Balançam, acenam
Fechadas, abertas
São duas
A segurar uma vida
A carregar histórias
São duas
Estendidas, a vida
Fechadas, o luto
São duas
Por onde falam
Por onde sentem
São duas
Uma a me dar prazer
E a outra a carregar você

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13.08.10 em: Sexta

postAos poucos…

Gazza

Duas doses de cachaça
De costas para o mar
Eclipse lunar
Estendido sobre massa
Todo desejo acorrentar
Desesperado acordar
Paisagem sob a fumaça
Perdido neste palco sem graça
Teus braços abertos recusar
Num breve sussurrar
Meus pés são seca argamassa
Minhas viagens você embaça
Eu logo vou me calar

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06.08.10 em: Sexta

postGente…

Gazza

- Você me ama?
- Sim, eu amo você.
- Ama quanto?
- Amo muito.
- Muito quanto?
- O quanto você não consgue imaginar.
- Mas o quanto é isso?
- O quanto você não consgue imaginar.
- É para sempre?
- Sim, para sempre?
- Só a mim?
- Apenas você.
- Você já amou alguém mais do que a mim?
- Não, nunca.
- Você tá mentindo…

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30.07.10 em: Sexta
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