Raquel C. de Medeiros
Arde, como arde
O machucado da fêmea
Que perde seu amor
Os olhos opacos
O viço manchado
A leitura sem nexo
A escrita rasgada
O colo da crueldade
É frio, espeta
E pula sem parar
Levantando nossas anáguas
Fininhas e transparentes
O sexo por debaixo
É frágil, sim
02.09.10 em: Quinta
Raquel C. de Medeiros
I’m an alive map
Rolling through myself
And thinking
All seasons laugh inside me
Drawing my confusion
Nigh and day hug me
Together
I’m hanged in abstract
26.08.10 em: Quinta
Raquel C. de Medeiros
Seu medo do meu doce
É distrair-se, lambuzar
A carne, ossos, noites
Facas encantadas
Afiadas por meu sorriso
Atravessam sua cama, listras, dores
Encontram sonhos escuros
Retalhos das nuvens que costuram
Agruras, vazios, dissabores
No meu céu as estrelas são rendeiras
Da sorte grande que te ofereço
Por versos, gestos, louvores
E suas divas sombrias desmaiam em meu seio
Arranco-lhes cílios, vestidos inteiros
E máscaras, sentidos, valores
O mel que derramo no seu canteiro
Adoça o tempo, apaga ciclos inteiros
E palavras, caminhos, temores
19.08.10 em: Quinta
Raquel C. de Medeiros
O céu não tem muros, mas me protege
Das lamentações que unidas tecem
Nuvens magoadas, armadas pra me rasgar
Viro estrelas em fuga
Driblo raios, ventos, chuvas
Pra na espuma-doce remar
O céu não tem muros, mas me protege
De raios insanos e sonhos breves
Que acendem fogueira no meu mar
Benzo as águas turvas e rezo
Pra me livrar desses excessos
Poeiras apegadas ao meu ar
Onde há fé não há muros, eu grito
Pelo menos tenho abrigo
E olho mágico pra te afastar
O céu não tem muros, mas me protege, baby
O céu não tem muros, mas me protege, baby
O céu não tem muros, mas me protege, baby
05.08.10 em: Quinta
Raquel C. de Medeiros
A entrada é ali, não há saída nessa história, ninguém quer mesmo dormir. A noite eterna deveria ser só um clichê, mas se fugimos sempre deles ficamos chatos, muito chatos como os que querem saber tudo tudo. Não há saída, o jeito é entrar nessa balada-histórica, se a sua casa fosse uma música qual seria, qual seria? responda rápido rápido, pede Jaime, a estrela da noite e da vida inteira. Jaime, a bicha mais divertida da noite do Lebronx, do Rio, da web, do mundo-com-gosto-de-espumante-rosé-que-o-amor-moderno-inventou. O rato de Jaime gosta de ouvir jazz, parece até personagem de desenho animado, mas é real é real a música dizia, em inglês eletrônico, enquanto Jaime trocava de sapatos com a moça de salto alto e pé doído. Maria, cheia de graça e de bolhas e de grinaldas. Jaime é rei e essas carlitas alegres agora amigas de Jaime me enchem de respostas sem que eu faça nenhuma pergunta. E sinto-me assim, preenchida e leve como uma ave que tem seu ninho abençoado no país das maravilhas. Estavam todas na minha casa quando acordei no domingo de manhã. Da chaleira-rosé, saíam histórias como essa, com gosto de sonho de dulce de leche portenho. Amém.
OS: Sem perguntas, por favor.
29.07.10 em: Quinta