Luciene Braga
Por Carlos Drummond de Andrade
A noite desceu. Que noite!
Já não enxergo meus irmãos.
E nem tampouco os rumores
Que outrora me perturbavam
A noite desceu. Nas casas,
Nas ruas onde se combate,
Nos campos desfalecidos,
A noite espalhou o medo
E a total incompreensão.
A noite caiu. Tremenda,
Sem esperança… Os suspiros
Acusam a presença negra
Que paralisa os guerreiros.
E o amor não abre caminho
Na noite. [...]
15.03.10 em: Segunda
Aline Leal
por: Jorge Luís Borges
Em Junín ou em Tapalquén contam a história. Um miúdo desapareceu depois de um ataque dos índios; disse-se que o tinham raptado. Os seus pais procuraram-no inutilmente; passados anos, um soldado que vinha de terra adentro falou-lhes de um índio de olhos celestes que bem podia ser seu filho. Deram por [...]
10.03.10 em: Segunda
Luciene Braga
“resolveu tomar a última, com jeito de primeira. e assim era. de primeira.
de repente… o jogo das almas que se encontram, ou se esbarram, sem princípio, sem linha (do tempo). e quem disse que o começo do dia é pela manhã? “ousadia dos burocratas solares”, pensou, fazendo acrobacia na fumaça do cigarro.
desativou preocupação.
samba no fundo, [...]
08.03.10 em: Segunda
Luciene Braga
“Espelho torturante”, disse, em voz alta, não sem antes olhar sem entender para o telefone, como se a frase, quase psicografada, viesse de algum canto, por fibras óticas. “Quem diria isso?”, encolheu-se, assustada. Não temia vozes reais, mas as que não provinham de objetos ou pessoas in loco. Ah, ouvia-as, absolutamente retesada. Andou, linda, pálida, [...]
01.03.10 em: Segunda
Luciene Braga
Em uma travessia de pouco mais de 10 segundos, atravessou o recinto (de festa bem festejada nos outguetos colunabiliíssimos) pensando no quanto seria observada. Adorava. Corpo de BBB, salário de modelo e drink Caras. Homens sem polifonia no encalço.
Sabia o quanto isso lhe custara.
De fato, os homens – e mulheres – perdiam os próprios radares [...]
22.02.10 em: Segunda
Luciene Braga
Tirou férias de sua vida rota, vestiu uma fantasia sexy, comeu podrão de esquina esquecível e dançou como se nunca fosse parar. Um dia, dois dias, três.
Ainda tinha mais um.
Impressionou-se com a disposição à sua disposição.
Bebeu absintho e ajudou um desconhecido a encaixar a chave do carro. Riu de algo que não entendia, e isso [...]
15.02.10 em: Segunda