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	<title>Segunda a Sexta</title>
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	<description>Só mais um blog do WordPress</description>
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		<title>Conversa alta&#8230;*</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Mar 2010 07:22:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gazza</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sexta]]></category>

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		<description><![CDATA[Gosto de viajar comigo mesmo,
gosto de ser em nada como me vejo.
Espaço de ouvir sonhos do meu umbigo
Eu ouço a mesma música cinco, dez vezes seguida
e a cada vez, ela me dá um pedaço novo de vida
 
Tenha fé em mim, não vou te desapontar
Eu tenho uma vitrola velha, que toca o coração do mundo
e o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gosto de viajar comigo mesmo,<br />
gosto de ser em nada como me vejo.<br />
Espaço de ouvir sonhos do meu umbigo<br />
Eu ouço a mesma música cinco, dez vezes seguida<br />
e a cada vez, ela me dá um pedaço novo de vida<br />
 <br />
Tenha fé em mim, não vou te desapontar<br />
Eu tenho uma vitrola velha, que toca o coração do mundo<br />
e o som da terra a girar<br />
Isso que vivo com você é único<br />
O cigarro estava há três anos queimando sozinho,<br />
mas as pessoas acham que intimidade é só ver a nudez<br />
e não sentir juntos a ponta da vida acender.<br />
 <br />
Vou divulgar esses versos na Rede<br />
para levar a quem busca um pouco mais da nossa sede<br />
Sempre me vejo num palco,<br />
mas o meu show é para os cidadãos deste meu planeta<br />
que te mostro aqui, na ponta da caneta<br />
 <br />
A gente anda fumando muito, mas é assim mesmo<br />
Até o último trago, novo em cada segundo<br />
Faz um quadro para eu botar no meu corredor:<br />
&#8220;Eu passo mil vezes por aqui<br />
E num desenfreado vai e vém,<br />
vem você comigo, também&#8221;.<br />
 <br />
Aquela chuva caindo, o show foi antológico<br />
Rod Stwart, Chico, Macy Gray<br />
Músicas que transformam e que melodiam<br />
o tic tac nervoso de cada hora em que estamos juntos<br />
&#8220;in each day&#8221;<br />
 <br />
A apoteose é o infinito<br />
Continua a estrela<br />
brilhando no céu.</p>
<p>*Cris e Gazza</p>
<p align="left"><a class="tt" href="http://twitter.com/home/?status=Conversa+alta...%2A+http://twurl.nl/or22q0" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-twitter-micro3.png" alt="[Post to Twitter]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://delicious.com/post?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/19/conversa-alta/&amp;title=Conversa+alta...%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-delicious-micro3.png" alt="[Post to Delicious]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://digg.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/19/conversa-alta/&amp;title=Conversa+alta...%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-digg-micro3.png" alt="[Post to Digg]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://stumbleupon.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/19/conversa-alta/&amp;title=Conversa+alta...%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-su-micro3.png" alt="[Post to StumbleUpon]" border="0" /></a>&nbsp; </p>]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Cristo de Saias</title>
		<link>http://segundaasexta.com.br/2010/03/18/cristo-de-saias/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 03:00:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raquel C. de Medeiros</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quinta]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Maria Rezende
Maria da Poesia
A primeira vez que ouvi a Maria Rezende recitar foi no lançamento do livro dela, Bendita Palavra. Fiquei encantada. Sem dúvida, a Maria é a melhor dizedora de poesia que já ouvi. Depois tive a sorte de ouvi-la algumas outras vezes, entre elas no casamento de uma grande amiga. Nesse vídeo, a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Maria Rezende</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=cRtIGpDUZMI">Maria da Poesia</a></p>
<p>A primeira vez que ouvi a Maria Rezende recitar foi no lançamento do livro dela, Bendita Palavra. Fiquei encantada. Sem dúvida, a Maria é a melhor dizedora de poesia que já ouvi. Depois tive a sorte de ouvi-la algumas outras vezes, entre elas no casamento de uma grande amiga. Nesse vídeo, a Maria recita Cristo de Saias, um poema de sua autoria.  Cliquem aí no link e vejam como ela é graciosa. Sou fã.</p>
<p align="left"><a class="tt" href="http://twitter.com/home/?status=Cristo+de+Saias+http://twurl.nl/rz5e78" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-twitter-micro3.png" alt="[Post to Twitter]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://delicious.com/post?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/18/cristo-de-saias/&amp;title=Cristo+de+Saias" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-delicious-micro3.png" alt="[Post to Delicious]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://digg.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/18/cristo-de-saias/&amp;title=Cristo+de+Saias" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-digg-micro3.png" alt="[Post to Digg]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://stumbleupon.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/18/cristo-de-saias/&amp;title=Cristo+de+Saias" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-su-micro3.png" alt="[Post to StumbleUpon]" border="0" /></a>&nbsp; </p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Retrato</title>
		<link>http://segundaasexta.com.br/2010/03/17/retrato/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 02:03:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aline Leal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quarta]]></category>

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		<description><![CDATA[por Cecilia Meireles
Eu não tinha este rosto de hoje, 
assim calmo, assim triste, assim magro, 
nem estes olhos tão vazios, 
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força, 
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança, 
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>por Cecilia Meireles</em></strong></p>
<p>Eu não tinha este rosto de hoje, <br />
assim calmo, assim triste, assim magro, <br />
nem estes olhos tão vazios, <br />
nem o lábio amargo.</p>
<p>Eu não tinha estas mãos sem força, <br />
tão paradas e frias e mortas;<br />
eu não tinha este coração<br />
que nem se mostra.</p>
<p>Eu não dei por esta mudança, <br />
tão simples, tão certa, tão fácil:<br />
— Em que espelho ficou perdida<br />
a minha face?</p>
<p>* <em><strong>Estamos de férias, postando um pouco do que nos inspira</strong></em></p>
<p align="left"><a class="tt" href="http://twitter.com/home/?status=Retrato+http://twurl.nl/2hpyt8" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-twitter-micro3.png" alt="[Post to Twitter]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://delicious.com/post?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/17/retrato/&amp;title=Retrato" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-delicious-micro3.png" alt="[Post to Delicious]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://digg.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/17/retrato/&amp;title=Retrato" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-digg-micro3.png" alt="[Post to Digg]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://stumbleupon.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/17/retrato/&amp;title=Retrato" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-su-micro3.png" alt="[Post to StumbleUpon]" border="0" /></a>&nbsp; </p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Sexo na cabeça *</title>
		<link>http://segundaasexta.com.br/2010/03/16/sexo-na-cabeca/</link>
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		<pubDate>Tue, 16 Mar 2010 03:17:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiana Maciel Ellwanger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Terça]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Luis Fernando Veríssimo
Lembro-me como se fosse há oito bilhões de anos. Eu era uma célula recém-chegada do fundo do miasma e ainda deslumbrado com a vida agitada da superfície, e você era de lá, um ser superficial, vivida, viciada em amônia, linda, linda. Nós dois queríamos e não sabíamos o quê. Namoramos um milhão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Por Luis Fernando Veríssimo</em></strong></p>
<p>Lembro-me como se fosse há oito bilhões de anos. Eu era uma célula recém-chegada do fundo do miasma e ainda deslumbrado com a vida agitada da superfície, e você era de lá, um ser superficial, vivida, viciada em amônia, linda, linda. Nós dois queríamos e não sabíamos o quê. Namoramos um milhão de anos sem saber o que fazer, aquela ânsia. Deve haver mais do que isto, amar não deve ser só roçar as membranas. Você dizia &#8220;Eu deixo, eu deixo&#8221;, e eu dizia &#8220;O quê? O quê?&#8221;, até que um dia. Um dia minhas enzimas tocaram as suas e você gemeu, meu amor, &#8220;Assim, assim!&#8221;. E você sugou meu aminoácido, meu amor. Assim, assim. E de repente éramos uma só célula. Dois núcleos numa só membrana até que a morte nos separasse. Tínhamos inventado o sexo e vimos que era bom. E de repente todos à nossa volta estavam nos imitando, nunca uma coisa pegou tanto. Crescemos, multiplicamo-nos e o mar borbulhava. O desejo era fogo e lava e o nosso amor transbordava. Aquela ânsia. Mais, mais, assim, assim. Você não se contentava em ser célula. Uma zona erógena era pouco. Queria fazer tudo, tudo. Virou ameba. Depois peixe e depois réptil, meu amor, e eu atrás. Crocodilo, elefante, borboleta, centopéia, sapo e de repente, diante dos meus olhos, mulher. Assim, assim! Deus é luxúria, Deus é a ânsia. Depois de bilhões de anos Ele acertara a fórmula. &#8220;É isso!&#8221;, gritei. &#8220;Não mexe em mais nada!&#8221;</p>
<p>— Quem sabe mais um seio?<br />
— Não! Dois está perfeito.<br />
— Quem sabe o sexo na cabeça?<br />
— Não! Longe da cabeça. Quanto mais longe melhor! Linda, linda. Mas<br />
algo estava errado. Não foi como antes.<br />
— Foi bom?<br />
— Foi.<br />
— Qual é o problema?<br />
— Não tem problema nenhum.<br />
— Eu sinto que você está diferente.<br />
— Bobagem sua. Só um pouco de dor de cabeça.<br />
— No caldo primordial você não era assim.<br />
— A gente muda, né? Nós não somos mais amebas.</p>
<p>E vimos que era complicado. Nunca reparáramos na nossa nudez e de repente não se falava em outra coisa. Você cobriu seu corpo com folhas e eu construí várias civilizações para esconder o meu. &#8220;Eu deixo, eu deixo — mas não aqui.&#8221; Não agora. Não na frente das crianças. Não numa segunda-feira! Só depois de casar. E o meu presente? Depois você não me respeita mais. Você vai contar para os outros. Eu não sou dessas. Só se você usar um quepe da Gestapo. Você não me quer, você quer é reafirmar sua necessidade neurótica de dominação machista, e ainda por cima usando as minhas ligas pretas. O quê? Não faz nem três anos que mamãe morreu! Está bem, mas sem o chicote. Eu disse que não queria o sexo na cabeça, Senhor!</p>
<p>— Nós somos como frutas, minha flor.<br />
— Vem com essa&#8230;<br />
— A fruta, entende? Não é o objetivo da árvore. Uma laranjeira não é uma árvore que dá laranjas. Uma laranjeira é uma árvore que só existe para produzir outras árvores iguais a ela. Ela é apenas um veículo da sua própria semente, como nós somos a embalagem da vida. Entende? A fruta é um estratagema da árvore para proteger a semente. A fruta é uma etapa, não é o fim. Eu te amo, eu te amo. A própria fruta, se soubesse a importância que nós lhe damos, enrubesceria como uma maçã na sua modéstia. Deixa eu só desengatar o sutiã. A fruta não é nada. O importante é a semente. E a ânsia, é o ácido, é o que nos traz de pé neste sofá. Digo, nesta vida. Deixa, deixa. A flor, minha fruta, é um truque da planta para atrair a abelha. A própria planta é um artifício da semente para se recriar. A própria semente é apenas a representação externa daquilo que me trouxe à tona, lembra? A semente da semente, chega<br />
pra cá um pouquinho. Linda, linda. Pense em mim como uma laranja. Eu só existo para cumprir o destino da semente da semente da minha semente. Eu estou apenas cumprindo ordens. Você não está me negando. Você está negando os desígnios do Universo. Deixa.</p>
<p>— Está bem. Mas só tem uma coisa.<br />
— O quê?<br />
— Eu não estou tomando pílula.<br />
— Então nada feito.</p>
<p>Mais, mais. Um dia chegaríamos a uma zona erógena além do Sol. Como o pólen, meu amor, no espaço. Roçaríamos nossas membranas de fibra de vidro, capacete a capacete, e nossos tubos de oxigênio se enroscariam e veríamos que era difícil. Eu manipularia a sua bateria seca e você gemeria como um besouro eletrônico. Asssssiiiim. Asssssiiiiim.</p>
<p>Um dia estaríamos velhos. Sexo, só na cabeça. As abelhas andariam a pé, nada se recriaria, as frutas secariam. Eu afundaria na memória, de volta às origens do mundo. (O mar tem um deserto no fundo.) Uma casca morta de semente, por nada, por nada. Mas foi bom, não foi?</p>
<p><em>* Estamos de férias, postando um pouco do que nos inspira</em></p>
<p align="left"><a class="tt" href="http://twitter.com/home/?status=Sexo+na+cabe%C3%A7a+%2A+http://twurl.nl/63s3wb" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-twitter-micro3.png" alt="[Post to Twitter]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://delicious.com/post?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/16/sexo-na-cabeca/&amp;title=Sexo+na+cabe%C3%A7a+%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-delicious-micro3.png" alt="[Post to Delicious]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://digg.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/16/sexo-na-cabeca/&amp;title=Sexo+na+cabe%C3%A7a+%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-digg-micro3.png" alt="[Post to Digg]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://stumbleupon.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/16/sexo-na-cabeca/&amp;title=Sexo+na+cabe%C3%A7a+%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-su-micro3.png" alt="[Post to StumbleUpon]" border="0" /></a>&nbsp; </p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A noite dissolve os homens*</title>
		<link>http://segundaasexta.com.br/2010/03/15/a-noite-dissolve-os-homens/</link>
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		<pubDate>Mon, 15 Mar 2010 12:17:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciene Braga</dc:creator>
				<category><![CDATA[Segunda]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Carlos Drummond de Andrade
A noite desceu. Que noite!
Já não enxergo meus irmãos.
E nem tampouco os rumores
Que outrora me perturbavam
A noite desceu. Nas casas,
Nas ruas onde se combate,
Nos campos desfalecidos,
A noite espalhou o medo
E a total incompreensão.
A noite caiu. Tremenda,
Sem esperança&#8230; Os suspiros
Acusam a presença negra
Que paralisa os guerreiros.
E o amor não abre caminho
Na noite. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Por Carlos Drummond de Andrade</em></strong></p>
<p>A noite desceu. Que noite!<br />
Já não enxergo meus irmãos.<br />
E nem tampouco os rumores<br />
Que outrora me perturbavam<br />
A noite desceu. Nas casas,<br />
Nas ruas onde se combate,<br />
Nos campos desfalecidos,<br />
A noite espalhou o medo<br />
E a total incompreensão.<br />
A noite caiu. Tremenda,<br />
Sem esperança&#8230; Os suspiros<br />
Acusam a presença negra<br />
Que paralisa os guerreiros.<br />
E o amor não abre caminho<br />
Na noite. A noite é mortal,<br />
Completa, sem reticências,<br />
A noite dissolve os homens,<br />
Diz que á inútil sofrer,<br />
A noite dissolve as pátrias,<br />
Apagou os almirantes<br />
Cintilantes nas ruas fardas.<br />
A noite anoiteceu tudo&#8230;<br />
O mundo não tem remédio&#8230;<br />
Os suicidas tinham razão.</p>
<p><em>* Estamos de férias, postando o que nos inspira.</em></p>
<p align="left"><a class="tt" href="http://twitter.com/home/?status=A+noite+dissolve+os+homens%2A+http://twurl.nl/k5wvso" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-twitter-micro3.png" alt="[Post to Twitter]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://delicious.com/post?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/15/a-noite-dissolve-os-homens/&amp;title=A+noite+dissolve+os+homens%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-delicious-micro3.png" alt="[Post to Delicious]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://digg.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/15/a-noite-dissolve-os-homens/&amp;title=A+noite+dissolve+os+homens%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-digg-micro3.png" alt="[Post to Digg]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://stumbleupon.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/15/a-noite-dissolve-os-homens/&amp;title=A+noite+dissolve+os+homens%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-su-micro3.png" alt="[Post to StumbleUpon]" border="0" /></a>&nbsp; </p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A menina transparente*</title>
		<link>http://segundaasexta.com.br/2010/03/12/a-menina-transparente/</link>
		<comments>http://segundaasexta.com.br/2010/03/12/a-menina-transparente/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 12 Mar 2010 16:15:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gazza</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sexta]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://segundaasexta.com.br/?p=1817</guid>
		<description><![CDATA[Eu apareço disfarçada de todas as coisas . . .
Posso ser vista no por-do-sol ou no nascer dele.
Eu posso estar através da janela,
Posso ser vista na asa da gaivota
Ou pelo ar que passa por ela.
Muitos me vêem no mar,
Outros na comida da panela.
Posso aparecer para qualquer ser,
Desde ele pequenininho;
Ficar com ele direitinho,
Se tratar de mim [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu apareço disfarçada de todas as coisas . . .<br />
Posso ser vista no por-do-sol ou no nascer dele.<br />
Eu posso estar através da janela,<br />
Posso ser vista na asa da gaivota<br />
Ou pelo ar que passa por ela.<br />
Muitos me vêem no mar,<br />
Outros na comida da panela.<br />
Posso aparecer para qualquer ser,<br />
Desde ele pequenininho;<br />
Ficar com ele direitinho,<br />
Se tratar de mim como eu merecer.</p>
<p>Uns me pegam pra criar em livro,<br />
Outros me botam num vestido lindo,<br />
Cheio de notas musicais:<br />
Fico morando dentro da música.<br />
Tenho muitas mães e digo mais:<br />
Sou uma criança com muitos pais.<br />
Tem gente que diz que eu nasço dentro da pessoa,<br />
E faço ela olhar diferente,<br />
Pra tudo que todos olham,<br />
Mas não notam.<br />
Ás vezes apareço tão transparente e de mansinho<br />
Que mais pareço um Gasparzinho.</p>
<p>Tem gente que nunca percebe que estou ali,<br />
Não cuida de mim,<br />
Não me exercita.<br />
Eu fico como um laço de fita<br />
Que nunca teve um rabo de cavalo dentro.<br />
Eu fico como uma planta de dentro da casa<br />
Que ninguém molha, conversa nem nada.<br />
Quem me adivinha logo dentro dele,<br />
Quem percebe que estou ali diariamente,<br />
Quem anda comigo e com o meu gingado,<br />
Fica com o coração inteligente<br />
E com o pensamento emocionado.<br />
A esse que eu dou a mão,<br />
E vou com esse para todo lado:<br />
Aniversários, passeios, sono, cama, biblioteca, casa, escola;<br />
Estou com esse a toda hora.</p>
<p>Tem gente que me vê muito na beleza da flor,<br />
No mato, na primavera e no calor.<br />
É que ando muito mesmo.<br />
Eu posso até voar!<br />
Por isso que me vêem no céu, nas estrelas, nos planetas<br />
E nas conversas das crianças.<br />
Quem anda comigo tem muita esperança.<br />
Todo mundo que me tem<br />
Pode me usar e me espalhar por aí.<br />
Quem gosta muito de mim,<br />
Depois que me conhece,<br />
Junta gente em volta como se eu fosse uma festa.<br />
Me usam até em palestra!<br />
Me acordam lá do papel.<br />
Ih! Eu tinha esquecido de dizer<br />
Que, quando a pessoa começa a me escrever,<br />
Eu fico morando no papel.<br />
Toda vez que alguém me lê para dentro eu passo para dentro dele.<br />
Toda vez que alguém me lê para fora, em voz alta,<br />
Como se eu fosse uma música,<br />
Eu passo para dentro de todo mundo que me vê;</p>
<p>Eu posso trazer alento a todo mundo que me escuta.<br />
Tem gente que me pega só numa fase,<br />
Como se eu fosse uma gripe boa,<br />
E como se dessa boa gripe ficasse gripada.<br />
Quero dizer . . .<br />
Eu dou muito no coração de gente apaixonada.<br />
Minha palavra é do sexo feminino,<br />
Brinco com menino e com menina,<br />
Fico com a pessoa até ela ficar velhinha,<br />
Inclusive de bengala;<br />
E depois que ela morre,<br />
Faço ela ficar viva<br />
Toda vez que por mim é lembrada.<br />
Ás vezes eu sou sapeca,<br />
Ás vezes eu fico quieta,<br />
Mas todo mundo que olha através de mim é poeta.</p>
<p>Veja se eu sou esta que fala dentro de você.<br />
Eu não posso escrever porque não sou poeta:<br />
Sou a poesia!<br />
Tente agora fazer um verso.<br />
Se eu fosse você, faria.<br />
*Elisa Lucinda</p>
<p align="left"><a class="tt" href="http://twitter.com/home/?status=A+menina+transparente%2A+http://twurl.nl/t8mx0g" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-twitter-micro3.png" alt="[Post to Twitter]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://delicious.com/post?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/12/a-menina-transparente/&amp;title=A+menina+transparente%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-delicious-micro3.png" alt="[Post to Delicious]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://digg.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/12/a-menina-transparente/&amp;title=A+menina+transparente%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-digg-micro3.png" alt="[Post to Digg]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://stumbleupon.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/12/a-menina-transparente/&amp;title=A+menina+transparente%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-su-micro3.png" alt="[Post to StumbleUpon]" border="0" /></a>&nbsp; </p>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>O Grande e o pequeno *</title>
		<link>http://segundaasexta.com.br/2010/03/11/o-grande-e-o-pequeno/</link>
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		<pubDate>Thu, 11 Mar 2010 03:15:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raquel C. de Medeiros</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quinta]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://segundaasexta.com.br/?p=1814</guid>
		<description><![CDATA[Por Adriana Falcão
Todo caso de amor tem um grande e um pequeno. Alguém um dia falou, em francês, que em todo caso de amor il y a toujours qui aime et qui se laisse aimer. É mais ou menos a mesma coisa. O pequeno ama, o grande se deixa amar. O grande fala, o pequeno [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Adriana Falcão</p>
<p>Todo caso de amor tem um grande e um pequeno. Alguém um dia falou, em francês, que em todo caso de amor <em>il y a toujours qui aime et qui se laisse aimer</em>. É mais ou menos a mesma coisa. O pequeno ama, o grande se deixa amar. O grande fala, o pequeno ouve. O grande discorda, o pequeno concorda. O pequeno teme, o grande ameaça. O grande atrasa, o pequeno se antecipa. O grande pede, ou nem precisa pedir, e o pequeno já está fazendo.</p>
<p>Não é uma questão de gênero. Existem homens pequenos e homens grandes, mulheres grandes e mulheres pequenas. O temperamento e as circunstâncias influem, mas não determinam. O grande pode ser o mais bem-sucedido dos dois ou não. O pequeno pode ser o mais sensível, mas nem sempre é assim. Muitas vezes o grande é o mais esperto, mas existem pequenos espertíssimos. Depende do caso.</p>
<p>Como ninguém descobriu, até hoje, uma regra que permita determinar qual é o grande e qual é o pequeno, só observando o casal mais atentamente.</p>
<p>Na rua, o que anda distraído quase sempre é o grande. Quase sempre, no cinema, o grande só decide comprar pipoca depois que os dois já estão acomodados nas poltronas. O pequeno, então, fica esperando, vigiando, tomando conta para o filme não começar antes de o grande voltar, o que, por algum motivo, seria uma tragédia.</p>
<p>Numa festa, o pequeno deve estar ansioso para que a noite seja boa, principalmente se foi ele que sugeriu o programa. O grande se comportará de maneira indiferente até se embriagar pela música, pela bebida ou pelo ambiente, quando então ficará muito mais animado do que o pequeno. Mesmo que o pequeno dance bem, o grande sempre dançará melhor. O pequeno evita o silêncio porque tem certeza de que a culpa é dele, por isso sempre tem arquivados na cabeça assuntos que possam ser úteis em todas as ocasiões. A calça nova do pequeno dificilmente lhe cai tão bem quanto a do grande, assim como o cabelo do grande está sempre melhor que o do pequeno, ainda que a festa inteira pense exatamente o contrário. O pequeno geralmente se comove com a lua calado, enquanto o grande aponta, olha só a lua. No final da festa é sempre o pequeno que quer ir embora, reservando o melhor da sua alegria para o resto da noite, enquanto o grande se despede dos amigos displicentemente.</p>
<p>Mais tarde, o pequeno é macho, é gueixa, é desgraçado, é exclusivo e, se o coração do grande por acaso ouvir seus gritos, que sorte. No dia seguinte, o pequeno estará inevitavelmente preocupado: será que fiz tudo certo? Acho que eu não devia ter dito aquilo. Por que toda vez sou eu que beijo primeiro? Na dúvida, vai correndo procurar o grande, apesar de ter prometido que nunca mais faria isso.</p>
<p>O grande e o pequeno podem ser de qualquer espécie, inclusive bichos, com exceção dos gatos, que são todos grandes.</p>
<p>Não necessariamente formam um casal. Não é só nas histórias de amor que existem grandes e pequenos. Havendo mais de um, um par qualquer, dois adversários, dois irmãos, dois amigos, sempre haverá o que quer mais e o que quer menos, o fascinante e o fascinado, o generoso e o pedinte.</p>
<p>Mas como tudo pode acontecer, senão nada disso ia ter graça, a qualquer momento, por alguma razão, geralmente à noite, imprevisivelmente, o grande pode ficar pequeno, e o pequeno ficar grande de repente. Basta um vacilo, um acaso, um cair de tarde, um olhar mais assim, um furacão, uma inspiração, uma imprudência.</p>
<p>Quando isso acontece, é comum o pequeno ficar maior ainda, o que torna automaticamente o grande ainda menor. O ex-pequeno, logo que é promovido a grande, pode se vingar do ex-grande, se seu sofrimento tiver boa memória. Aí, coitado do novo pequeno, vai se arrepender de cada não beijo, cada não telefonema, cada não noite de insônia, cada não desespero, cada não entusiasmo, cada não carinho inesperado, indispensável, inevitável, imprescindível, cada não todas as palavras apaixonadas em qualquer língua do mundo. Ele vai se surpreender com a reviravolta, no começo, mas vai se conformar com sua nova condição de pequeno em seguida. E então vai seguir, cuidadoso e desastrado, na quase inútil intenção de conquistar o grande urgentemente.</p>
<p> </p>
<p><strong>* Estamos de férias, publicando nossos textos, poemas e vídeos favoritos</strong></p>
<p align="left"><a class="tt" href="http://twitter.com/home/?status=O+Grande+e+o+pequeno+%2A+http://twurl.nl/ciplw6" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-twitter-micro3.png" alt="[Post to Twitter]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://delicious.com/post?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/11/o-grande-e-o-pequeno/&amp;title=O+Grande+e+o+pequeno+%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-delicious-micro3.png" alt="[Post to Delicious]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://digg.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/11/o-grande-e-o-pequeno/&amp;title=O+Grande+e+o+pequeno+%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-digg-micro3.png" alt="[Post to Digg]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://stumbleupon.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/11/o-grande-e-o-pequeno/&amp;title=O+Grande+e+o+pequeno+%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-su-micro3.png" alt="[Post to StumbleUpon]" border="0" /></a>&nbsp; </p>]]></content:encoded>
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		<title>O Cativo*</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Mar 2010 16:59:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aline Leal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Segunda]]></category>

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		<description><![CDATA[por: Jorge Luís Borges           
                   Em Junín ou em Tapalquén contam a história. Um miúdo desapareceu depois de um ataque dos índios; disse-se que o tinham raptado. Os seus pais procuraram-no inutilmente; passados anos, um soldado que vinha de terra adentro falou-lhes de um índio de olhos celestes que bem podia ser seu filho. Deram por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>por: Jorge Luís Borges</strong>           </p>
<p>                   Em Junín ou em Tapalquén contam a história. Um miúdo desapareceu depois de um ataque dos índios; disse-se que o tinham raptado. Os seus pais procuraram-no inutilmente; passados anos, um soldado que vinha de terra adentro falou-lhes de um índio de olhos celestes que bem podia ser seu filho. Deram por fim com ele (a crónica perdeu as circunstâncias e não quero inventar o que não sei) e pensaram reconhecê-lo. O homem, trabalhado pelo deserto e pela vida bárbara, já não sabia ouvir as palavras da língua natal, mas deixou-se conduzir, indiferente e dócil, até casa. Aí se deteve, talvez porque os outros se detiveram. Olhou a porta, como se não a compreendesse. De repente, baixou a cabeça, gritou, atravessou correndo o saguão e os dois pátios largos e enfiou-se pela cozinha. Sem vacilar, mergulhou o braço no enegrecido sino e tirou o canivete de cabo de chifre que ali tinha escondido em criança. Os olhos brilharam-lhe de alegria e os pais choraram porque tinham encontrado o filho.<br />
                       Talvez a esta recordação se tivessem seguido outras, mas o índio não podia viver entre paredes e um dia foi à procura do seu deserto. Gostaria de saber o que terá sentido naquele instante de vertigem em que o passado e o presente se confundiram; gostaria de saber se o filho perdido renasceu e morreu naquele êxtase ou se conseguiu reconhecer, como uma criatura ou um cão, os pais e a casa.</p>
<p><strong>* Estamos de férias, postando nossos textos, vídeos ou poemas favoritos</strong></p>
<p align="left"><a class="tt" href="http://twitter.com/home/?status=O+Cativo%2A+http://twurl.nl/l2ktn7" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-twitter-micro3.png" alt="[Post to Twitter]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://delicious.com/post?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/10/o-cativo/&amp;title=O+Cativo%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-delicious-micro3.png" alt="[Post to Delicious]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://digg.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/10/o-cativo/&amp;title=O+Cativo%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-digg-micro3.png" alt="[Post to Digg]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://stumbleupon.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/10/o-cativo/&amp;title=O+Cativo%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-su-micro3.png" alt="[Post to StumbleUpon]" border="0" /></a>&nbsp; </p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Resíduo*</title>
		<link>http://segundaasexta.com.br/2010/03/09/residuo/</link>
		<comments>http://segundaasexta.com.br/2010/03/09/residuo/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 13:43:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiana Maciel Ellwanger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Terça]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://segundaasexta.com.br/?p=1806</guid>
		<description><![CDATA[Por Carlos Drummond de Andrade
De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.
Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).
Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.
Mas de tudo fica um pouco.
Da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Carlos Drummond de Andrade</strong></p>
<p>De tudo ficou um pouco<br />
Do meu medo. Do teu asco.<br />
Dos gritos gagos. Da rosa<br />
ficou um pouco.</p>
<p>Ficou um pouco de luz<br />
captada no chapéu.<br />
Nos olhos do rufião<br />
de ternura ficou um pouco<br />
(muito pouco).</p>
<p>Pouco ficou deste pó<br />
de que teu branco sapato<br />
se cobriu. Ficaram poucas<br />
roupas, poucos véus rotos<br />
pouco, pouco, muito pouco.</p>
<p>Mas de tudo fica um pouco.<br />
Da ponte bombardeada,<br />
de duas folhas de grama,<br />
do maço de cigarros, ficou um pouco.</p>
<p>Pois de tudo fica um pouco.<br />
Fica um pouco de teu queixo<br />
no queixo de tua filha.<br />
De teu áspero silêncio<br />
um pouco ficou, um pouco<br />
nos muros zangados,<br />
nas folhas, mudas, que sobem.</p>
<p>Ficou um pouco de tudo<br />
no pires de porcelana,<br />
dragão partido, flor branca,<br />
ficou um pouco<br />
de ruga na vossa testa,<br />
retrato.</p>
<p>Se de tudo fica um pouco,<br />
mas por que não ficaria<br />
um pouco de mim? no trem<br />
que leva ao norte, no barco,<br />
nos anúncios de jornal,<br />
um pouco de mim em Londres,<br />
um pouco de mim algures?<br />
na consoante?<br />
no poço?</p>
<p>Um pouco fica oscilando<br />
na embocadura dos rios<br />
e os peixes não o evitam,<br />
um pouco: não está nos livros.<br />
De tudo fica um pouco.<br />
Não muito: de uma torneira<br />
pinga esta gota absurda,<br />
meio sal e meio álcool,<br />
salta esta perna de rã,<br />
este vidro de relógio<br />
partido em mil esperanças,<br />
este pescoço de cisne,<br />
este segredo infantil&#8230;<br />
De tudo ficou um pouco:<br />
de mim; de ti; de Abelardo.<br />
Cabelo na minha manga,<br />
de tudo ficou um pouco;<br />
vento nas orelhas minhas,<br />
simplório arroto, gemido<br />
de víscera inconformada,<br />
e minúsculos artefatos:<br />
campânula, alvéolo, cápsula<br />
de revólver&#8230; de aspirina.<br />
De tudo ficou um pouco.</p>
<p>E de tudo fica um pouco.<br />
Oh abre os vidros de loção<br />
e abafa<br />
o insuportável mau cheiro da memória.</p>
<p>Mas de tudo, terrível, fica um pouco,<br />
e sob as ondas ritmadas<br />
e sob as nuvens e os ventos<br />
e sob as pontes e sob os túneis<br />
e sob as labaredas e sob o sarcasmo<br />
e sob a gosma e sob o vômito<br />
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido<br />
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate<br />
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes<br />
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros<br />
e sob os gonzos da família e da classe,<br />
fica sempre um pouco de tudo.<br />
Às vezes um botão. Às vezes um rato.</p>
<p><strong>* Estamos de férias, postando nossos textos, vídeos ou poemas favoritos. </strong></p>
<p align="left"><a class="tt" href="http://twitter.com/home/?status=Res%C3%ADduo%2A+http://twurl.nl/yu4doe" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-twitter-micro3.png" alt="[Post to Twitter]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://delicious.com/post?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/09/residuo/&amp;title=Res%C3%ADduo%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-delicious-micro3.png" alt="[Post to Delicious]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://digg.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/09/residuo/&amp;title=Res%C3%ADduo%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-digg-micro3.png" alt="[Post to Digg]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://stumbleupon.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/09/residuo/&amp;title=Res%C3%ADduo%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-su-micro3.png" alt="[Post to StumbleUpon]" border="0" /></a>&nbsp; </p>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Início</title>
		<link>http://segundaasexta.com.br/2010/03/08/inicio/</link>
		<comments>http://segundaasexta.com.br/2010/03/08/inicio/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 13:18:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciene Braga</dc:creator>
				<category><![CDATA[Segunda]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://segundaasexta.com.br/?p=1803</guid>
		<description><![CDATA[&#8220;resolveu tomar a última, com jeito de primeira. e assim era. de primeira.
de repente&#8230; o jogo das almas que se encontram, ou se esbarram, sem princípio, sem linha (do tempo). e quem disse que o começo do dia é pela manhã? &#8220;ousadia dos burocratas solares&#8221;, pensou, fazendo acrobacia na fumaça do cigarro.
desativou preocupação.
samba no fundo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;resolveu tomar a última, com jeito de primeira. e assim era. de primeira.</p>
<p>de repente&#8230; o jogo das almas que se encontram, ou se esbarram, sem princípio, sem linha (do tempo). e quem disse que o começo do dia é pela manhã? &#8220;ousadia dos burocratas solares&#8221;, pensou, fazendo acrobacia na fumaça do cigarro.</p>
<p>desativou preocupação.</p>
<p>samba no fundo, gente que se levanta e passa. levanta e passa.</p>
<p>(que dá nas cabeças e nas cadeiras?)</p>
<p>luzes queimadas do bar lembram as da sala de casa. outras luzes acometem.</p>
<p>acendeu, porque não tinha jeito de entender aquele início de dia-noite com cara de fim.</p>
<p>começou a se tocar de que horas se passaram. falou das contas, da filosofia, do batom da outra, dos crimes de guerra e do cotidiano, citou autores para impressionar, tentou dizer o nome do cantor que soava baixinho, deu comida para o vira-latas entrão, trocou telefones e pensou que aquilo era bom, deu ânimo. ânimo da noite em transe. que transa.</p>
<p>a sacanagem da intensidade. intensidade na sacanagem. &#8220;sacanagem!&#8221;, encheu a boca.</p>
<p>&#8220;muita sacanagem&#8221;, escapou, desejando momento mais sublime, e soando como diálogo de filme nacional.</p>
<p>chorou. chorinho. e isso era bom, porque ria disso.</p>
<p>para início de conversa, desconversou.</p>
<p>levanta e passa.</p>
<p> atendeu celular, mas a bateria, claro, falhou.</p>
<p> estabelece (eta palavra), que dia vem.</p>
<p>feito jornal que envelhece fingindo novo.</p>
<p>no começo da rotina que se acaba, agradeceu: obrigada, pizindin, menino bom</p>
<p>(se tivesse de começar tudo de novo, subvertendo o calendário gregoriano, seria ao som dele, Pixinguinha)&#8221;</p>
<p align="left"><a class="tt" href="http://twitter.com/home/?status=In%C3%ADcio+http://twurl.nl/d33vnu" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-twitter-micro3.png" alt="[Post to Twitter]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://delicious.com/post?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/08/inicio/&amp;title=In%C3%ADcio" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-delicious-micro3.png" alt="[Post to Delicious]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://digg.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/08/inicio/&amp;title=In%C3%ADcio" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-digg-micro3.png" alt="[Post to Digg]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://stumbleupon.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/08/inicio/&amp;title=In%C3%ADcio" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-su-micro3.png" alt="[Post to StumbleUpon]" border="0" /></a>&nbsp; </p>]]></content:encoded>
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