<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Segunda a Sexta</title>
	<atom:link href="http://segundaasexta.com.br/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://segundaasexta.com.br</link>
	<description>Só mais um blog do WordPress</description>
	<lastBuildDate>Thu, 11 Mar 2010 03:15:58 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.8</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>O Grande e o pequeno *</title>
		<link>http://segundaasexta.com.br/2010/03/11/o-grande-e-o-pequeno/</link>
		<comments>http://segundaasexta.com.br/2010/03/11/o-grande-e-o-pequeno/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 11 Mar 2010 03:15:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raquel C. de Medeiros</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quinta]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://segundaasexta.com.br/?p=1814</guid>
		<description><![CDATA[Por Adriana Falcão
Todo caso de amor tem um grande e um pequeno. Alguém um dia falou, em francês, que em todo caso de amor il y a toujours qui aime et qui se laisse aimer. É mais ou menos a mesma coisa. O pequeno ama, o grande se deixa amar. O grande fala, o pequeno [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Adriana Falcão</p>
<p>Todo caso de amor tem um grande e um pequeno. Alguém um dia falou, em francês, que em todo caso de amor <em>il y a toujours qui aime et qui se laisse aimer</em>. É mais ou menos a mesma coisa. O pequeno ama, o grande se deixa amar. O grande fala, o pequeno ouve. O grande discorda, o pequeno concorda. O pequeno teme, o grande ameaça. O grande atrasa, o pequeno se antecipa. O grande pede, ou nem precisa pedir, e o pequeno já está fazendo.</p>
<p>Não é uma questão de gênero. Existem homens pequenos e homens grandes, mulheres grandes e mulheres pequenas. O temperamento e as circunstâncias influem, mas não determinam. O grande pode ser o mais bem-sucedido dos dois ou não. O pequeno pode ser o mais sensível, mas nem sempre é assim. Muitas vezes o grande é o mais esperto, mas existem pequenos espertíssimos. Depende do caso.</p>
<p>Como ninguém descobriu, até hoje, uma regra que permita determinar qual é o grande e qual é o pequeno, só observando o casal mais atentamente.</p>
<p>Na rua, o que anda distraído quase sempre é o grande. Quase sempre, no cinema, o grande só decide comprar pipoca depois que os dois já estão acomodados nas poltronas. O pequeno, então, fica esperando, vigiando, tomando conta para o filme não começar antes de o grande voltar, o que, por algum motivo, seria uma tragédia.</p>
<p>Numa festa, o pequeno deve estar ansioso para que a noite seja boa, principalmente se foi ele que sugeriu o programa. O grande se comportará de maneira indiferente até se embriagar pela música, pela bebida ou pelo ambiente, quando então ficará muito mais animado do que o pequeno. Mesmo que o pequeno dance bem, o grande sempre dançará melhor. O pequeno evita o silêncio porque tem certeza de que a culpa é dele, por isso sempre tem arquivados na cabeça assuntos que possam ser úteis em todas as ocasiões. A calça nova do pequeno dificilmente lhe cai tão bem quanto a do grande, assim como o cabelo do grande está sempre melhor que o do pequeno, ainda que a festa inteira pense exatamente o contrário. O pequeno geralmente se comove com a lua calado, enquanto o grande aponta, olha só a lua. No final da festa é sempre o pequeno que quer ir embora, reservando o melhor da sua alegria para o resto da noite, enquanto o grande se despede dos amigos displicentemente.</p>
<p>Mais tarde, o pequeno é macho, é gueixa, é desgraçado, é exclusivo e, se o coração do grande por acaso ouvir seus gritos, que sorte. No dia seguinte, o pequeno estará inevitavelmente preocupado: será que fiz tudo certo? Acho que eu não devia ter dito aquilo. Por que toda vez sou eu que beijo primeiro? Na dúvida, vai correndo procurar o grande, apesar de ter prometido que nunca mais faria isso.</p>
<p>O grande e o pequeno podem ser de qualquer espécie, inclusive bichos, com exceção dos gatos, que são todos grandes.</p>
<p>Não necessariamente formam um casal. Não é só nas histórias de amor que existem grandes e pequenos. Havendo mais de um, um par qualquer, dois adversários, dois irmãos, dois amigos, sempre haverá o que quer mais e o que quer menos, o fascinante e o fascinado, o generoso e o pedinte.</p>
<p>Mas como tudo pode acontecer, senão nada disso ia ter graça, a qualquer momento, por alguma razão, geralmente à noite, imprevisivelmente, o grande pode ficar pequeno, e o pequeno ficar grande de repente. Basta um vacilo, um acaso, um cair de tarde, um olhar mais assim, um furacão, uma inspiração, uma imprudência.</p>
<p>Quando isso acontece, é comum o pequeno ficar maior ainda, o que torna automaticamente o grande ainda menor. O ex-pequeno, logo que é promovido a grande, pode se vingar do ex-grande, se seu sofrimento tiver boa memória. Aí, coitado do novo pequeno, vai se arrepender de cada não beijo, cada não telefonema, cada não noite de insônia, cada não desespero, cada não entusiasmo, cada não carinho inesperado, indispensável, inevitável, imprescindível, cada não todas as palavras apaixonadas em qualquer língua do mundo. Ele vai se surpreender com a reviravolta, no começo, mas vai se conformar com sua nova condição de pequeno em seguida. E então vai seguir, cuidadoso e desastrado, na quase inútil intenção de conquistar o grande urgentemente.</p>
<p> </p>
<p><strong>* Estamos de férias, publicando nossos textos, poemas e vídeos favoritos</strong></p>
<p align="left"><a class="tt" href="http://twitter.com/home/?status=O+Grande+e+o+pequeno+%2A+http://twurl.nl/pvsfyi" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-twitter-micro3.png" alt="[Post to Twitter]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://delicious.com/post?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/11/o-grande-e-o-pequeno/&amp;title=O+Grande+e+o+pequeno+%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-delicious-micro3.png" alt="[Post to Delicious]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://digg.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/11/o-grande-e-o-pequeno/&amp;title=O+Grande+e+o+pequeno+%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-digg-micro3.png" alt="[Post to Digg]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://stumbleupon.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/11/o-grande-e-o-pequeno/&amp;title=O+Grande+e+o+pequeno+%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-su-micro3.png" alt="[Post to StumbleUpon]" border="0" /></a>&nbsp; </p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://segundaasexta.com.br/2010/03/11/o-grande-e-o-pequeno/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O Cativo*</title>
		<link>http://segundaasexta.com.br/2010/03/10/o-cativo/</link>
		<comments>http://segundaasexta.com.br/2010/03/10/o-cativo/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 10 Mar 2010 16:59:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aline Leal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Segunda]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://segundaasexta.com.br/?p=1810</guid>
		<description><![CDATA[por: Jorge Luís Borges           
                   Em Junín ou em Tapalquén contam a história. Um miúdo desapareceu depois de um ataque dos índios; disse-se que o tinham raptado. Os seus pais procuraram-no inutilmente; passados anos, um soldado que vinha de terra adentro falou-lhes de um índio de olhos celestes que bem podia ser seu filho. Deram por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>por: Jorge Luís Borges</strong>           </p>
<p>                   Em Junín ou em Tapalquén contam a história. Um miúdo desapareceu depois de um ataque dos índios; disse-se que o tinham raptado. Os seus pais procuraram-no inutilmente; passados anos, um soldado que vinha de terra adentro falou-lhes de um índio de olhos celestes que bem podia ser seu filho. Deram por fim com ele (a crónica perdeu as circunstâncias e não quero inventar o que não sei) e pensaram reconhecê-lo. O homem, trabalhado pelo deserto e pela vida bárbara, já não sabia ouvir as palavras da língua natal, mas deixou-se conduzir, indiferente e dócil, até casa. Aí se deteve, talvez porque os outros se detiveram. Olhou a porta, como se não a compreendesse. De repente, baixou a cabeça, gritou, atravessou correndo o saguão e os dois pátios largos e enfiou-se pela cozinha. Sem vacilar, mergulhou o braço no enegrecido sino e tirou o canivete de cabo de chifre que ali tinha escondido em criança. Os olhos brilharam-lhe de alegria e os pais choraram porque tinham encontrado o filho.<br />
                       Talvez a esta recordação se tivessem seguido outras, mas o índio não podia viver entre paredes e um dia foi à procura do seu deserto. Gostaria de saber o que terá sentido naquele instante de vertigem em que o passado e o presente se confundiram; gostaria de saber se o filho perdido renasceu e morreu naquele êxtase ou se conseguiu reconhecer, como uma criatura ou um cão, os pais e a casa.</p>
<p><strong>* Estamos de férias, postando nossos textos, vídeos ou poemas favoritos</strong></p>
<p align="left"><a class="tt" href="http://twitter.com/home/?status=O+Cativo%2A+http://twurl.nl/l2ktn7" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-twitter-micro3.png" alt="[Post to Twitter]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://delicious.com/post?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/10/o-cativo/&amp;title=O+Cativo%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-delicious-micro3.png" alt="[Post to Delicious]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://digg.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/10/o-cativo/&amp;title=O+Cativo%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-digg-micro3.png" alt="[Post to Digg]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://stumbleupon.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/10/o-cativo/&amp;title=O+Cativo%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-su-micro3.png" alt="[Post to StumbleUpon]" border="0" /></a>&nbsp; </p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://segundaasexta.com.br/2010/03/10/o-cativo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Resíduo*</title>
		<link>http://segundaasexta.com.br/2010/03/09/residuo/</link>
		<comments>http://segundaasexta.com.br/2010/03/09/residuo/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 13:43:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiana Maciel Ellwanger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Terça]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://segundaasexta.com.br/?p=1806</guid>
		<description><![CDATA[Por Carlos Drummond de Andrade
De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.
Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).
Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.
Mas de tudo fica um pouco.
Da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Carlos Drummond de Andrade</strong></p>
<p>De tudo ficou um pouco<br />
Do meu medo. Do teu asco.<br />
Dos gritos gagos. Da rosa<br />
ficou um pouco.</p>
<p>Ficou um pouco de luz<br />
captada no chapéu.<br />
Nos olhos do rufião<br />
de ternura ficou um pouco<br />
(muito pouco).</p>
<p>Pouco ficou deste pó<br />
de que teu branco sapato<br />
se cobriu. Ficaram poucas<br />
roupas, poucos véus rotos<br />
pouco, pouco, muito pouco.</p>
<p>Mas de tudo fica um pouco.<br />
Da ponte bombardeada,<br />
de duas folhas de grama,<br />
do maço de cigarros, ficou um pouco.</p>
<p>Pois de tudo fica um pouco.<br />
Fica um pouco de teu queixo<br />
no queixo de tua filha.<br />
De teu áspero silêncio<br />
um pouco ficou, um pouco<br />
nos muros zangados,<br />
nas folhas, mudas, que sobem.</p>
<p>Ficou um pouco de tudo<br />
no pires de porcelana,<br />
dragão partido, flor branca,<br />
ficou um pouco<br />
de ruga na vossa testa,<br />
retrato.</p>
<p>Se de tudo fica um pouco,<br />
mas por que não ficaria<br />
um pouco de mim? no trem<br />
que leva ao norte, no barco,<br />
nos anúncios de jornal,<br />
um pouco de mim em Londres,<br />
um pouco de mim algures?<br />
na consoante?<br />
no poço?</p>
<p>Um pouco fica oscilando<br />
na embocadura dos rios<br />
e os peixes não o evitam,<br />
um pouco: não está nos livros.<br />
De tudo fica um pouco.<br />
Não muito: de uma torneira<br />
pinga esta gota absurda,<br />
meio sal e meio álcool,<br />
salta esta perna de rã,<br />
este vidro de relógio<br />
partido em mil esperanças,<br />
este pescoço de cisne,<br />
este segredo infantil&#8230;<br />
De tudo ficou um pouco:<br />
de mim; de ti; de Abelardo.<br />
Cabelo na minha manga,<br />
de tudo ficou um pouco;<br />
vento nas orelhas minhas,<br />
simplório arroto, gemido<br />
de víscera inconformada,<br />
e minúsculos artefatos:<br />
campânula, alvéolo, cápsula<br />
de revólver&#8230; de aspirina.<br />
De tudo ficou um pouco.</p>
<p>E de tudo fica um pouco.<br />
Oh abre os vidros de loção<br />
e abafa<br />
o insuportável mau cheiro da memória.</p>
<p>Mas de tudo, terrível, fica um pouco,<br />
e sob as ondas ritmadas<br />
e sob as nuvens e os ventos<br />
e sob as pontes e sob os túneis<br />
e sob as labaredas e sob o sarcasmo<br />
e sob a gosma e sob o vômito<br />
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido<br />
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate<br />
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes<br />
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros<br />
e sob os gonzos da família e da classe,<br />
fica sempre um pouco de tudo.<br />
Às vezes um botão. Às vezes um rato.</p>
<p><strong>* Estamos de férias, postando nossos textos, vídeos ou poemas favoritos. </strong></p>
<p align="left"><a class="tt" href="http://twitter.com/home/?status=Res%C3%ADduo%2A+http://twurl.nl/yu4doe" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-twitter-micro3.png" alt="[Post to Twitter]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://delicious.com/post?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/09/residuo/&amp;title=Res%C3%ADduo%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-delicious-micro3.png" alt="[Post to Delicious]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://digg.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/09/residuo/&amp;title=Res%C3%ADduo%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-digg-micro3.png" alt="[Post to Digg]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://stumbleupon.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/09/residuo/&amp;title=Res%C3%ADduo%2A" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-su-micro3.png" alt="[Post to StumbleUpon]" border="0" /></a>&nbsp; </p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://segundaasexta.com.br/2010/03/09/residuo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Início</title>
		<link>http://segundaasexta.com.br/2010/03/08/inicio/</link>
		<comments>http://segundaasexta.com.br/2010/03/08/inicio/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 13:18:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciene Braga</dc:creator>
				<category><![CDATA[Segunda]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://segundaasexta.com.br/?p=1803</guid>
		<description><![CDATA[&#8220;resolveu tomar a última, com jeito de primeira. e assim era. de primeira.
de repente&#8230; o jogo das almas que se encontram, ou se esbarram, sem princípio, sem linha (do tempo). e quem disse que o começo do dia é pela manhã? &#8220;ousadia dos burocratas solares&#8221;, pensou, fazendo acrobacia na fumaça do cigarro.
desativou preocupação.
samba no fundo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;resolveu tomar a última, com jeito de primeira. e assim era. de primeira.</p>
<p>de repente&#8230; o jogo das almas que se encontram, ou se esbarram, sem princípio, sem linha (do tempo). e quem disse que o começo do dia é pela manhã? &#8220;ousadia dos burocratas solares&#8221;, pensou, fazendo acrobacia na fumaça do cigarro.</p>
<p>desativou preocupação.</p>
<p>samba no fundo, gente que se levanta e passa. levanta e passa.</p>
<p>(que dá nas cabeças e nas cadeiras?)</p>
<p>luzes queimadas do bar lembram as da sala de casa. outras luzes acometem.</p>
<p>acendeu, porque não tinha jeito de entender aquele início de dia-noite com cara de fim.</p>
<p>começou a se tocar de que horas se passaram. falou das contas, da filosofia, do batom da outra, dos crimes de guerra e do cotidiano, citou autores para impressionar, tentou dizer o nome do cantor que soava baixinho, deu comida para o vira-latas entrão, trocou telefones e pensou que aquilo era bom, deu ânimo. ânimo da noite em transe. que transa.</p>
<p>a sacanagem da intensidade. intensidade na sacanagem. &#8220;sacanagem!&#8221;, encheu a boca.</p>
<p>&#8220;muita sacanagem&#8221;, escapou, desejando momento mais sublime, e soando como diálogo de filme nacional.</p>
<p>chorou. chorinho. e isso era bom, porque ria disso.</p>
<p>para início de conversa, desconversou.</p>
<p>levanta e passa.</p>
<p> atendeu celular, mas a bateria, claro, falhou.</p>
<p> estabelece (eta palavra), que dia vem.</p>
<p>feito jornal que envelhece fingindo novo.</p>
<p>no começo da rotina que se acaba, agradeceu: obrigada, pizindin, menino bom</p>
<p>(se tivesse de começar tudo de novo, subvertendo o calendário gregoriano, seria ao som dele, Pixinguinha)&#8221;</p>
<p align="left"><a class="tt" href="http://twitter.com/home/?status=In%C3%ADcio+http://twurl.nl/d33vnu" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-twitter-micro3.png" alt="[Post to Twitter]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://delicious.com/post?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/08/inicio/&amp;title=In%C3%ADcio" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-delicious-micro3.png" alt="[Post to Delicious]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://digg.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/08/inicio/&amp;title=In%C3%ADcio" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-digg-micro3.png" alt="[Post to Digg]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://stumbleupon.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/08/inicio/&amp;title=In%C3%ADcio" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-su-micro3.png" alt="[Post to StumbleUpon]" border="0" /></a>&nbsp; </p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://segundaasexta.com.br/2010/03/08/inicio/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Foi ele&#8230;</title>
		<link>http://segundaasexta.com.br/2010/03/05/foi-ele/</link>
		<comments>http://segundaasexta.com.br/2010/03/05/foi-ele/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 10:48:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gazza</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sexta]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://segundaasexta.com.br/?p=1801</guid>
		<description><![CDATA[Marques
O que vc me fez
Me deixou assim
Metade em mim
Numa viagem sem fim
Mal de mim
Todo esse prazer
Em me fazer sofrer
&#160; &#160; &#160; &#160; ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Marques<br />
O que vc me fez<br />
Me deixou assim<br />
Metade em mim<br />
Numa viagem sem fim<br />
Mal de mim<br />
Todo esse prazer<br />
Em me fazer sofrer</p>
<p align="left"><a class="tt" href="http://twitter.com/home/?status=Foi+ele...+http://twurl.nl/y80xuv" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-twitter-micro3.png" alt="[Post to Twitter]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://delicious.com/post?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/05/foi-ele/&amp;title=Foi+ele..." title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-delicious-micro3.png" alt="[Post to Delicious]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://digg.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/05/foi-ele/&amp;title=Foi+ele..." title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-digg-micro3.png" alt="[Post to Digg]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://stumbleupon.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/05/foi-ele/&amp;title=Foi+ele..." title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-su-micro3.png" alt="[Post to StumbleUpon]" border="0" /></a>&nbsp; </p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://segundaasexta.com.br/2010/03/05/foi-ele/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Doce segredo</title>
		<link>http://segundaasexta.com.br/2010/03/04/doce-segredo/</link>
		<comments>http://segundaasexta.com.br/2010/03/04/doce-segredo/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 04 Mar 2010 03:05:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raquel C. de Medeiros</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quinta]]></category>
		<category><![CDATA[sadismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://segundaasexta.com.br/?p=1797</guid>
		<description><![CDATA[        Aquele bracinho alvo e doente provocava-lhe calores. Observara-o durante muitos meses, todas as vezes que a moça ia à farmácia para tomar uma dose da injeção. Reginaldo, que ainda não tinha permissão para aplicar o medicamento, contorcia-se. Não tinha olhos para outra coisa que não fosse o braço descoberto da menina.
        Chamava-se Branca e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>        Aquele bracinho alvo e doente provocava-lhe calores. Observara-o durante muitos meses, todas as vezes que a moça ia à farmácia para tomar uma dose da injeção. Reginaldo, que ainda não tinha permissão para aplicar o medicamento, contorcia-se. Não tinha olhos para outra coisa que não fosse o braço descoberto da menina.</p>
<p>        Chamava-se Branca e tinha uma beleza ingênua, comovente. Seus passos eram curtos, falava pouco e quase não dava para escutar a sua voz. Ia todas as quintas-feiras, religiosamente, tomar a injeção. Naquela semana, quando adentrou o estabelecimento, os olhos de Reginaldo faiscaram uma felicidade maligna: ele enfim recebera a autorização do órgão competente para aplicar injeções. Não conteve sua ansiedade e adiantou-se:</p>
<p>            &#8211; Vamos lá? Hoje eu aplico.</p>
<p>            A menina sentiu calafrios e nem sabia exatamente por quê. Levou-a até a cabine, abriu a agulha descartável, banhou o algodão no álcool e passou cuidadosamente em seu bracinho. Depois encheu a seringa com o medicamento e conteve-se por uns instantes: sentia uma perversa vontade de machucar aquela pele fininha. Pegou novamente o algodão e esfregou no braço de Branca numa tentativa de afastar aquele desejo. Mas não conseguiu controlar seu impulso, escolheu posições e finalmente enterrou a agulha com força. A menina não gritou, não gemeu, não fez caretas, não reclamou.</p>
<p>            &#8211; Obrigada- disse Branca.</p>
<p>       Na semana seguinte, voltou à farmácia, dessa vez à procura de Reginaldo. Seu bracinho de anjo ainda conservava a marca da dor que sentira na semana anterior. Aquilo provocou os piores instintos de Reginaldo e novamente ele não conteve a vontade de machucar a garota: segurou-se por alguns segundos e espetou a agulha com ainda força.</p>
<p>            Na outra quinta-feira, os dois braços da menina estavam marcados e Reginaldo injetou o medicamento com ainda mais prazer: sentia um arrepio profundo e ardente ao ver o aço afundando na inocência daquela alma. Durante todo o ritual, a menina mantinha os olhos abertos e ele podia escutar seu coração ofegante.</p>
<p>       E assim se sucedeu: Branca voltou durante todo o ano, sempre à procura de Reginaldo. Ela agora usava blusas de mangas compridas e apenas ele tinha acesso a seus bracinhos machucados, o que o deixava ainda mais obcecado. Os dois mal conversavam, mas havia se criado ali uma estranha intimidade, uma dependência doentia de machucar e ser machucado, um desejo cujo tom foi alcançando escalas inimagináveis: Reginaldo agora sentia vontade de beber o sangue de Branca.</p>
<p>            Perturbado com aquelas anormalidades que não conseguia controlar, Reginaldo, que era direito e se esforçava para ser um homem bom, fez um esforço sobrenatural e um dia dobrou sua vontade de costurar, devagarzinho, o braço de Branca. Foi a primeira injeção aplicada corretamente ao fio de dez meses.</p>
<p>            &#8211; Já? – perguntou a menina.</p>
<p>        Nesse dia, Branca foi para casa com o braço ileso. Salva da dor. A menina, no entanto, sentiu nascer uma infelicidade que aos poucos lhe tomou todo o corpo. E adoeceu de desgosto.</p>
<p> </p>
<p>       Esse é um segredo que Branca e Reginaldo nunca compartilharam com ninguém: é daqueles segredos que a gente tem vergonha de contar porque não pode compreendê-los. Depois que Branca desapareceu, Reginaldo foi esquecendo-se daquela perversão e nunca mais teve os mesmos impulsos: hoje não passa de uma lembrança apagada, dessas que a gente nem acredita que viveu.</p>
<p>       Para Branca, a lembrança é mais forte: ela tornou-se enfermeira e é obcecada por aplicar injeções.  Mas seu grande prazer é desencaminhar os homens com suas doces espetadas.</p>
<p align="left"><a class="tt" href="http://twitter.com/home/?status=Doce+segredo+http://twurl.nl/8iu642" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-twitter-micro3.png" alt="[Post to Twitter]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://delicious.com/post?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/04/doce-segredo/&amp;title=Doce+segredo" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-delicious-micro3.png" alt="[Post to Delicious]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://digg.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/04/doce-segredo/&amp;title=Doce+segredo" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-digg-micro3.png" alt="[Post to Digg]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://stumbleupon.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/04/doce-segredo/&amp;title=Doce+segredo" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-su-micro3.png" alt="[Post to StumbleUpon]" border="0" /></a>&nbsp; </p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://segundaasexta.com.br/2010/03/04/doce-segredo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Fogueira</title>
		<link>http://segundaasexta.com.br/2010/03/03/fogueira/</link>
		<comments>http://segundaasexta.com.br/2010/03/03/fogueira/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 03 Mar 2010 13:21:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aline Leal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quarta]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://segundaasexta.com.br/?p=1794</guid>
		<description><![CDATA[Envolvo-a em meus braços enquanto chora, ela não me ama. Tive esse sonho na noite anterior e acordei com dor no peito.E custei a voltar a dormir. E cheguei atrasado no trabalho. E estamos juntos há tantos anos e ela nunca esqueceu aquele homem e chora por ele e chora porque não me ama. Apertei-a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Envolvo-a em meus braços enquanto chora, ela não me ama. Tive esse sonho na noite anterior e acordei com dor no peito.E custei a voltar a dormir. E cheguei atrasado no trabalho. E estamos juntos há tantos anos e ela nunca esqueceu aquele homem e chora por ele e chora porque não me ama. Apertei-a junto a mim na cama, no sonho, e acordei com dor no peito, e acordei com falta de ar. E me levantei e tive vontade de lhe perguntar: Anna, você me ama? — Silêncio — Não.</p>
<p> </p>
<p>                                                ***</p>
<p>Busquei anteontem a roupa na lavanderia; ontem, a empregada passou; hoje, vou para o trabalho de terno, gravata, sapato envernizado. É meu primeiro dia na empresa: os funcionários me lançam sorrisos — Bom-dia!</p>
<p>—    Bom-dia! — Bom-dia! — Bom-dia! — Bom-dia! — Bom-dia! — Bom-dia!</p>
<p>Dez anos neste mesmo emprego, não fiz amigos, não fiz dinheiro, enrolo a metade do expediente, vendo dez dias das minhas férias anuais, sou puxa-saco, mantenho a mesma função.</p>
<p> </p>
<p>                                                ***</p>
<p>Acordo com dor no peito, há dias tenho insônia. Eu não a amo, e ela dorme um sono tranquilo. Levanto, dou voltas pelo quarto, Nada me vem à cabeça, estou cansado de tentar. Acordo Anna — Não quero mais fingir. Por favor, arrume suas coisas e volte para casa de sua mãe. Mas não faço isso, vou para a cozinha, enfio pão de fôrma na boca sem sentir o gosto, engulo leite para poder descer. Vou para o sofá. Durmo até às onze. Chego atrasado no trabalho.</p>
<p> </p>
<p>                                                ***</p>
<p>Pedi demissão de um emprego estável. Fui tentar a sorte de ser artista, com medo de ser um fracasso. E desistir e ter que pedir socorro aos meus pais. E me considerar patético.</p>
<p>Não foi bem assim, em poucos meses, estava expondo em galerias importantes e ao fim do primeiro ano de trabalho, fui contemplado com uma individual internacional. Desenvolvi uma mecânica para minha obra, é tão ridículo eu ser reconhecido um artista. Meus quadros não me compreendem, não significam nada para mim, observá-los expostos em um museu me faz doer o coração. O que representam para minha vida? Vou queimá-los.</p>
<p align="left"><a class="tt" href="http://twitter.com/home/?status=Fogueira+http://twurl.nl/r1v35r" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-twitter-micro3.png" alt="[Post to Twitter]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://delicious.com/post?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/03/fogueira/&amp;title=Fogueira" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-delicious-micro3.png" alt="[Post to Delicious]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://digg.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/03/fogueira/&amp;title=Fogueira" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-digg-micro3.png" alt="[Post to Digg]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://stumbleupon.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/03/fogueira/&amp;title=Fogueira" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-su-micro3.png" alt="[Post to StumbleUpon]" border="0" /></a>&nbsp; </p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://segundaasexta.com.br/2010/03/03/fogueira/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Léa</title>
		<link>http://segundaasexta.com.br/2010/03/02/lea/</link>
		<comments>http://segundaasexta.com.br/2010/03/02/lea/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 03:38:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiana Maciel Ellwanger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Terça]]></category>
		<category><![CDATA[sadismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://segundaasexta.com.br/?p=1789</guid>
		<description><![CDATA[&#8220;Tudo é bom quando é excessivo&#8221;
Marquês de Sade
Era o terceiro e melhor e-mail que recebia depois do anúncio na Internet. Os erros de português quase anulavam os belos quadris da remetente, mas seus preciosismos não o impediriam de realizar fantasias. Respondeu:
“Gostei de você. Também adoro brincar com fogo e facas. Seus seios são lindos. Não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>&#8220;Tudo é bom quando é excessivo&#8221;<br />
Marquês de Sade</em></p>
<p>Era o terceiro e melhor e-mail que recebia depois do anúncio na Internet. Os erros de português quase anulavam os belos quadris da remetente, mas seus preciosismos não o impediriam de realizar fantasias. Respondeu:</p>
<p>“Gostei de você. Também adoro brincar com fogo e facas. Seus seios são lindos. Não se preocupe que será tudo consensual”, mentiu.</p>
<p>A resposta veio em menos de um minuto: “Vc não está entendendo. Quero ser sua, sem amenidades, gosto de exageros, muitos, todos, senpre”.</p>
<p>O erro no fim do texto não foi capaz de irritá-lo: conseguiu a mulher perfeita? Era ela, era Lea. Lea gostosa, Lea onírica, Lea bela. Ela.</p>
<p>Trocaram vários e-mails excitantes, enfim realizaria suas fantasias com uma mulher que gostasse, gozasse, que não exigia dinheiro, apenas prazer e dor. Muita dor.</p>
<p>Marcaram o encontro para o fim-de-semana. Os dias passaram lentos, ansiosos, excitados e receosos. Receosos com o que estava por vir, sofria e odiava o sofrimento. Nunca seria como Lea, pensou.</p>
<p>Na hora marcada, entrou no banheiro do shopping Butantã. O masculino, porque Lea assim exigira. Entrou na segunda porta da direita para a esquerda e esperou. Esperou. Quando, mais de longos quinze minutos após o combinado se passaram, ouviu as três batidas na porta, abriu-a. O éter no rosto e a voz grossa ordenando o silêncio eram as últimas coisas que lembrava antes de acordar naquele quarto largo e branco.</p>
<p>O prazer com o sofrimento alheio vertia do sorriso das mulheres ao seu redor. Eram três, todas ruivas e pálidas. Apresentaram-se como as sádicas que gostam de fazer os sádicos sofrerem. “Hein?” Isso mesmo: sádicas que gostam de sádicos não masoquistas.</p>
<p>Acenderam velas e, a cada pingo quente no seu corpo peludo, amarrado na cama com cordas agressivas, elas faziam uma revelação.</p>
<p>O grupo, todo reunido pela Internet, já somava vinte e cinco fêmeas realizadas, que riam para seu pavor. Como num filme de terror B. Foi a revelação do primeiro pingo, que pareceu furar a pele do pé com o calor. Gritou.</p>
<p>Tinham homens masoquistas que trabalhavam para elas, como o que o imobilizara com ajuda do éter no banheiro do shopping. Mais uma gota fervente.</p>
<p>Aquela casa ficava na periferia de São Paulo e ele só seria solto quando elas quisessem. Se tentasse fugir, a brincadeira passaria a ser com estiletes, disse a ruiva que parecia ser a líder.</p>
<p>Outra gota branca no antebraço, doeu menos. Construíram a fantasiosa Léa a dez mãos, quando o grupo foi formado, há seis meses. Desde então, divertiam-se ao caçar sádicos na rede, interpretando a Léa, burra e gostosa.</p>
<p>Na décima gota, parecia ter se acostumado com o ritual da dor, pelo menos o das velas. Foi quando elas falaram, gargalhando, o que fariam com aqueles músculos no dia seguinte.  A noite foi longa, quase tão sofrida quando a tortura que viria.</p>
<p>Rastejou, foi chicoteado, apanhou com toalha molhada. E assim, sofreu por dias, semanas, como nunca achou que aguentaria. Na sétima semana, passou a ficar excitado, mas ainda chorava com as humilhações, chicotadas e com a obrigação de só comer se rastejasse.</p>
<p>Até começar a sentir prazer com a falta de autoestima.</p>
<p>E elas se desinteressarem.</p>
<p>Foi libertado. “Vá embora, seu idiota, não queremos mais você aqui”, ouviu por vários dias variações dessa frase até se convencer de que a insistência o levaria à morte. Quando chegou em casa, colocou outro anúncio no mesmo fórum.</p>
<p>“Procuro mulher sádica, com exagero, muitos, todos. Sempre”.</p>
<p align="left"><a class="tt" href="http://twitter.com/home/?status=L%C3%A9a+http://twurl.nl/722rsk" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-twitter-micro3.png" alt="[Post to Twitter]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://delicious.com/post?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/02/lea/&amp;title=L%C3%A9a" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-delicious-micro3.png" alt="[Post to Delicious]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://digg.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/02/lea/&amp;title=L%C3%A9a" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-digg-micro3.png" alt="[Post to Digg]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://stumbleupon.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/02/lea/&amp;title=L%C3%A9a" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-su-micro3.png" alt="[Post to StumbleUpon]" border="0" /></a>&nbsp; </p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://segundaasexta.com.br/2010/03/02/lea/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Dolores</title>
		<link>http://segundaasexta.com.br/2010/03/01/dolores/</link>
		<comments>http://segundaasexta.com.br/2010/03/01/dolores/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 01 Mar 2010 12:16:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciene Braga</dc:creator>
				<category><![CDATA[Segunda]]></category>
		<category><![CDATA[sadismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://segundaasexta.com.br/?p=1783</guid>
		<description><![CDATA[&#8220;Espelho torturante&#8221;, disse, em voz alta, não sem antes olhar sem entender para o telefone, como se a frase, quase psicografada, viesse de algum canto, por fibras óticas. &#8220;Quem diria isso?&#8221;, encolheu-se, assustada. Não temia vozes reais, mas as que não provinham de objetos ou pessoas in loco. Ah, ouvia-as, absolutamente retesada. Andou, linda, pálida, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Espelho torturante&#8221;, disse, em voz alta, não sem antes olhar sem entender para o telefone, como se a frase, quase psicografada, viesse de algum canto, por fibras óticas. &#8220;Quem diria isso?&#8221;, encolheu-se, assustada. Não temia vozes reais, mas as que não provinham de objetos ou pessoas in loco. Ah, ouvia-as, absolutamente retesada. Andou, linda, pálida, demaquilada, suspensa em tensão quase sacra. Derramou-se na piscina, e a taça de champanhe sorriu, vazia. &#8220;Crueldade&#8221;, ruiu. Pensou  na mãe, que sempre teceu longos pseudo discursos sobre a capacidade trucidante da bebida gasosa. Relaxou e parou de pensar naqueles que deixou para trás e longe. Só temia perder o fôlego próprio.</p>
<p>Não tinha televisão e sabia que o mundo enfrentava mais um grande fenômeno da natureza heroicamente, despertando a solidariedade típica de massas, que soava como &#8216;Hola&#8217; emitindo mensagens codificadas de &#8220;ainda bem que escapei do rol dos fadados&#8221;. Por isso mesmo, cantarolava desafinada, entre braçadas sutis e pensamentos rasteiros, tão óbvios quanto o bom dia de um porteiro.</p>
<p>O telefone tocou, mas ignorou. Ficou ali, parada, com olhos fixos no nada e jeito de quem já esperava, sem pressa.</p>
<p>&#8220;Dolores?&#8221;, &#8220;Dolores?&#8221;, ouvia.</p>
<p>&#8220;É engano&#8221;, respondeu, sem atender.</p>
<p>&#8220;Dolores, sou eu, atenda, por favor. Não posso mais esconder que você está aí, estão me pressionando&#8221;, ele suplicou.</p>
<p>&#8220;Só se trouxer o meu ursinho panda&#8221;, gargalhou, inerte. &#8220;Fofura&#8221;, completou, passando um batom rouge, certa de que ele jamais retornaria o contato, mas ficaria com ela na mente, adorando-a e detestando-a sem vontade alguma, temático.</p>
<p>Era melhor deixar o mundo cair, enquanto sorvia, elegantemente e orgulhosa de sua imersão no silêncio, mais doses de insaciedade.</p>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Não tinha televisão e sabia que o mundo enfrentava mais um grande fenômeno da natureza heroicamente, despertando a solidariedade típica de massas, que soava como &#8216;Hola&#8217; emitindo mensagens codificadas de &#8220;ainda bem que escapei do rol dos fadados&#8221;. Por isso mesmo, cantarolava desafinada, entre braçadas sutis e pensamentos rasteiros, tão óbvios quanto o bom dia de um porteiro.</p>
<p>O telefone tocou, mas ignorou. Ficou ali, parada, com olhos fixos no nada e jeito de quem já esperava, sem pressa.</p>
<p>&#8220;Dolores?&#8221;, &#8220;Dolores?&#8221;, ouvia.</p>
<p>&#8220;É engano&#8221;, respondeu, sem atender.</p>
<p>&#8220;Dolores, sou eu, atenda, por favor. Não posso mais esconder que você está aí, estão me pressionando&#8221;, ele suplicou.</p>
<p>&#8220;Só se trouxer o meu ursinho panda&#8221;, gargalhou, inerte. &#8220;Fofura&#8221;, completou, passando um batom rouge, certa de que ele jamais retornaria o contato, mas ficaria com ela na mente, adorando-a e detestando-a sem vontade alguma, temático.</p>
<p>&#8220;Era melhor deixar o mundo cair, enquanto sorvia, elegantemente e orgulhosa de sua imersão no silêncio, mais doses de insaciedade.</p></div>
<p align="left"><a class="tt" href="http://twitter.com/home/?status=Dolores+http://twurl.nl/ch4zhy" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-twitter-micro3.png" alt="[Post to Twitter]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://delicious.com/post?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/01/dolores/&amp;title=Dolores" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-delicious-micro3.png" alt="[Post to Delicious]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://digg.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/01/dolores/&amp;title=Dolores" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-digg-micro3.png" alt="[Post to Digg]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://stumbleupon.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/03/01/dolores/&amp;title=Dolores" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-su-micro3.png" alt="[Post to StumbleUpon]" border="0" /></a>&nbsp; </p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://segundaasexta.com.br/2010/03/01/dolores/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O velho e a verdade&#8230;</title>
		<link>http://segundaasexta.com.br/2010/02/26/o-velho-e-a-verdade/</link>
		<comments>http://segundaasexta.com.br/2010/02/26/o-velho-e-a-verdade/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 26 Feb 2010 03:18:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gazza</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sexta]]></category>
		<category><![CDATA[arrogância]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://segundaasexta.com.br/?p=1780</guid>
		<description><![CDATA[Gedézio costumava bradar a todos que lhe impunham qualquer contrariedade. No trabalho, em casa, no medíocre cotidiano da sua altivez. Não tinha mesmo conversa. Até pelos imprevisíveis e belos caminhos do amor. Era demais para Madalena. Não suportava ouvir o marido, principalmente nas discussões matrimoniais na humilde casa em que moravam, num bairro pobre da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gedézio costumava bradar a todos que lhe impunham qualquer contrariedade. No trabalho, em casa, no medíocre cotidiano da sua altivez. Não tinha mesmo conversa. Até pelos imprevisíveis e belos caminhos do amor. Era demais para Madalena. Não suportava ouvir o marido, principalmente nas discussões matrimoniais na humilde casa em que moravam, num bairro pobre da periferia de São Paulo. É, Gedézio não tinha posse. Havia transformado a soberba, o orgulho, a excessiva vaidade em suas maiores riquezas.<br />
- Ninguém pode comigo, Madá &#8211; disparava Gedézio a cada gran finale daquilo que chamava de supremacia da palavra.<br />
- Eu sei, meu bem &#8211; se resignava a mulher, já mecanicamente.<br />
O cotidiano de Gedézio era esse. Ninguém o suportava, mas não estava nem aí para o que pensavam dele. Não se sentia nunca sozinho, apesar de toda solidão a sua volta. Não se admitia estar errado. Em hipótese alguma nem mesmo nas discussões mais complexas, em temas que o pouco estudo não o deixava à vontade. O velho marceneiro, filho de pais nordestinos, só se importava mesmo com sua opinião. Era única.<br />
- Mas um dia tudo muda, Gedézio &#8211; resmungava Madalena, cansada do marido.<br />
Todos os sábados, Gédezio partia para o bar da esquina, logo cedo. Era o ápice de sua vida. Era seu melhor e preferido palco. Ali, na periferia paulistana, nada o superava. Bebia todas para suportar o ritmo de todos os monólogos que travava ao longo da folga semanal. E chegava mal em casa, combalido. A cirrose de décadas já havia consumido sua saúde.<br />
- Para de beber Gedézio, para &#8211; suplicava Madá, todo sábado.<br />
- Cala essa boca mulher. Do que você entende? Já disse que uma aspririna é suficiente para me deixar novinho outra vez.<br />
Foi a última vez que Gedézio dissera essas palavras à mulher. Vítima da certeza que nunca teve: a falta de humildade.</p>
<p align="left"><a class="tt" href="http://twitter.com/home/?status=O+velho+e+a+verdade...+http://twurl.nl/5epdg7" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-twitter-micro3.png" alt="[Post to Twitter]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://delicious.com/post?url=http://segundaasexta.com.br/2010/02/26/o-velho-e-a-verdade/&amp;title=O+velho+e+a+verdade..." title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-delicious-micro3.png" alt="[Post to Delicious]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://digg.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/02/26/o-velho-e-a-verdade/&amp;title=O+velho+e+a+verdade..." title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-digg-micro3.png" alt="[Post to Digg]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://stumbleupon.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2010/02/26/o-velho-e-a-verdade/&amp;title=O+velho+e+a+verdade..." title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-su-micro3.png" alt="[Post to StumbleUpon]" border="0" /></a>&nbsp; </p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://segundaasexta.com.br/2010/02/26/o-velho-e-a-verdade/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
