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	<title>Segunda a Sexta &#187; Loucura</title>
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		<title>O homem da esquina</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Apr 2009 11:51:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gazza</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sexta]]></category>
		<category><![CDATA[Loucura]]></category>

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Seu olhar era devastador. Quase hipnotizante. Não mirava as coisas. Era preciso segui-lo para encontrá-lo. Sem esforço, eu fazia isso sempre quando o encontrava. Ele estava na mesma esquina, todos os dias. Justo no horário que eu passava em direção a minha medíocre rotina para o trabalho. Já havia tentado encontrá-lo em outro horário, mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p>Seu olhar era devastador. Quase hipnotizante. Não mirava as coisas. Era preciso segui-lo para encontrá-lo. Sem esforço, eu fazia isso sempre quando o encontrava. Ele estava na mesma esquina, todos os dias. Justo no horário que eu passava em direção a minha medíocre rotina para o trabalho. Já havia tentado encontrá-lo em outro horário, mas nunca conseguira. Inúmeras tentativas frustradas. Aquilo me intrigava cada vez mais, principalmente pelo fascínio que aquele homem me exercia. Estava sempre maltrapilho, com o aspecto sujo. Companhia inseparável, um livro debaixo do braço. Grosso e velho. Era obssecada por  aquela imagem. Ali, imponente, no meio de uma multidão em seu vai-vem apressado, entre rostos desconhecidos. Mas aquele olhar tinha algo revelador também. E nos enontrava como se conhecesse cada um de nós. Numa dessas manhãs cinzas &#8211; era, invariavelmente, como meus dias começavam &#8211; tentei me aproximar daquela figura. Em vão. Quando me aproximei, o homem havia sumido, do nada, entre centenas de pessoas. Cheguei no trabalho ainda mais intrigada, com meia dúzia de perguntas e, óbvio, sem respostas. Lembrei que Ana fazia o mesmo caminho que eu para chegar na firma.</p>
<p>- Ana, você sempre passa ali naquela esquina?</p>
<p>- Que esquina, Maria, que esquina?</p>
<p>- Essa esquina, onde fica aquele homem de cabelos longos, com um livro debaixo do braço, que mais parece um mendigo.</p>
<p>- Que velho, Maria? Eu nunca vi isso na minha vida.</p>
<p>- Mas ele está ali, todos os dias. Como você não o vê! É impossível não notar a presença desse homem!</p>
<p>Desisti da conversa com Ana. Não teria respostas, só aborrecimentos. Na manhã seguinte, decidi mais uma vez tentar me aproximar. Havia dormido mal, numa daquelas noites em que toda minha vida passava pela cabeça. Toda essa minha vida sem sentido, de frustrações diante do que via diariamente. A manhã havia chegada mais cinza do que o comum. Nunca soube se o cinza era dos meus olhos. Perguntava se o tempo não gostava de mim. Mas seguia. Era só isso que fazia mesmo. Seguir. Havia seguido 45 anos. Me arrumei, tomei meu amargo café de sempre. Sozinha. Sentia um grande desconforto no dia a dia. Era como se a minha presença não fizesse parte daqui. Parti, com a sensação de que aquela rotina se romperia.<br />
Meu coração batia forte e acelerava cada metro que se aproximava daquela esquina. De longe, podia sentir a presença daquele homem e pensava como Ana nunca o havia visto. Nem sempre se quer enxergar, vai saber, né. Seguia, seguia. Um primeiro olhar o avistou. De imediato, começou a seguir o olhar dele, como todos os dias. Olhares cruzados, repentinamente apressei meu passo. Foi quando ouvi, num tom calmo, sobre o silêncio da multidão.</p>
<p>- Mãe, há um grande descompasso entre o mundo e o homem. Não demos certo.</p>
<p>Foi só, apenas essas palavras. Senti que minha vida havia mudado. Tudo passou a fazer um sentido. Nunca mais vi aquele homem. Desesperadamente o procurei, por dias e dias. Até parar naquela esquina, doutor. Até a passar a viver naquela esquina, doutor. E é por isso que hoje estou aqui.</p>
<p>- Eu preciso tomar esses remédios mais uma vez, doutor?  - Assim, deitada na cama, sem poder me mexer?</p>
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		<title>Smoke get in your eyes</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Apr 2009 04:35:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raquel C. de Medeiros</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quinta]]></category>
		<category><![CDATA[Loucura]]></category>

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		<description><![CDATA[O menino pede esmola na rua, qualquer coisa tia, a mulher cobra amor do namorado, o pessimista exige freios potentes de todos que estão a sua volta, o medroso não desgruda do chão, a cantora exige cem toalhas brancas, pó-de-pérolas e torneiras com água mineral no camarim, o amigo reclama da vida por uma hora [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: x-small;"><span style="font-size: medium;">O menino pede esmola na rua, <em>qualquer coisa tia</em>, a mulher cobra amor do namorado, o pessimista exige freios potentes de todos que estão a sua volta, o medroso não desgruda do chão, a cantora exige cem toalhas brancas, pó-de-pérolas e torneiras com água mineral no camarim, o amigo reclama da vida por uma hora e meia no telefone, o garçom pergunta se aceito um vinho que ajudará a salvar os koalas da Austrália, o papa não abençoa o amor entre iguais, as meninas machucam seus pés para não descerem do salto, minha prima gaba-se de uma sala afetada, exorbitando riqueza. Meu pai pede, docemente, para eu não confiar em ninguém. <em>Promete?</em> Fico paralisada, sem saber se choro ou se grito. Então vejo a Cher, em um filme italiano, cantando ‘smoke get in your eyes’. Sabe, eu gostaria de ser aquela personagem. A beleza da cena me inspira, abro a janela, chamo os bem-te-vis, imagino que estou em Verona e que tenho aquele olhar, aquele nariz, aquela voz. Todos param para me ouvir cantar, um italiano de nome Pietro me chama e me presenteia com as flores mais lindas desse mundo. Pietro e Beatriz. <em>When your heart’s on fire, you must realize smoke gets in your eyes</em>. Eu não quero saber da realidade, só dessa fumaça sagrada que me comove. A poesia da nossa vida tem o exato contorno que damos a ela. Sabia? Bailamos no meio das ruas de Verona, Pietro e eu, e agora eu sou a louca da corte enquanto tudo se repete. <em>Moça, me dá um dinheiro para comer, eu tomo remédio para os nervos</em>. Olho nos olhos dela e penso em dizer que loucura maior é fazer-se de vítima: o mundo sempre arruma um bom drama para esses. Toma o dinheiro, vai comer e ser vítima para sempre na vida porque não posso te salvar.</p>
<p></span><span style="font-size: x-small; font-family: Arial;"></span></span></p>
<p align="left"><a class="tt" href="http://twitter.com/home/?status=Smoke+get+in+your+eyes+http://twurl.nl/si6zn1" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-twitter-micro3.png" alt="[Post to Twitter]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://delicious.com/post?url=http://segundaasexta.com.br/2009/04/16/smoke-get-in-your-eyes/&amp;title=Smoke+get+in+your+eyes" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-delicious-micro3.png" alt="[Post to Delicious]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://digg.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2009/04/16/smoke-get-in-your-eyes/&amp;title=Smoke+get+in+your+eyes" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-digg-micro3.png" alt="[Post to Digg]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://stumbleupon.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2009/04/16/smoke-get-in-your-eyes/&amp;title=Smoke+get+in+your+eyes" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-su-micro3.png" alt="[Post to StumbleUpon]" border="0" /></a>&nbsp; </p>]]></content:encoded>
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		<title>Bipolar</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Apr 2009 12:58:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aline Leal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quarta]]></category>
		<category><![CDATA[Loucura]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>       Ela tacou-se no chão, caiu, estatelada, revirou os olhos, uma espuma aguada saiu de dentro da sua boca, disse qualquer coisa com a voz trêmula. Fiquei um pouco preocupado, mas não pude bem entender, e então ela soltou uma gargalhada quebrada, contraindo com força o abdômen. Estava fingindo para se divertir; era mesmo um pouco engraçado. Pedi para que se levantasse porque as pessoas do restaurante estavam olhando.<br />
       Anna, que louca! Um dia escreveu-me uma carta com uma palavra que eu não sei bem como pôde atribuir a mim. Um sujeito <em>rajadinho</em>, e depois não quis me explicar, riu bem alto, jogou a cabeça para trás e fez cara de louca, que era. Eu às vezes achava que, por trás de toda aquela encenação que Anna montava para se divertir, estava uma menina na verdade bem abafada.<br />
        Senti isso quando fomos à praia num dia nublado. Ela não disse nada o caminho todo, mas parecia como se tivesse uma coisa bem enterrada no corpo. Eu não perguntei porque sabia que ela ia inventar alguma história engraçada, e acabar rindo alto. Tirou a roupa e jogou-se no mar assim que chegamos; pulava as ondas gritando desesperadamente em meio a um choro soluçante de agonia, como se vomitasse um fígado. Depois, perguntou-me se eu também tinha achado aquilo engraçado.<br />
        Eu não sabia qual era a verdade, nem o que preferia. Se louca, se triste? Hoje, tentei puxar um assunto sério; percebendo os indícios, Anna tacou-se no chão no meio do restaurante, babou-se toda, e acabamos rindo. Eu ia perguntar quantos namorados ela já tivera, se estava feliz saindo comigo, se queria ficar mais sério. Mas tudo acabou muito engraçado.<br />
       Eu não estava apaixonado, mas me convinha muito sair com Anna. Me fazia uma boa companhia e ultimamente andava muito sozinho. Ela, ao que me parece, tampouco era de muitos amigos, porque as pessoas sobre quem me falava pareciam fantasiosas demais para ser verdade, e vez ou outra percebi ela embaralhando as histórias.<br />
        Outro indício que tive de sua profunda tristeza veio de uma folha de caderno que encontrei amassada no banco de seu carro há algumas semanas e que li enquanto ela comprava cigarros no posto. Era algo que ela tinha escrito:</p>
<p>       <em>Meu amor (eu nunca disse eu te amo), sua frieza queima em minha garganta. Não existe, não existe mais isso e eu tenho que me conformar. Você não foi uma boa experiência e não terá sido bom ter conhecido você quando a gente terminar. Eu só perdi o meu tempo.</em></p>
<p>       Quando chegou a conta, eu disse que deixasse comigo, afinal, ela devia guardar o dinheiro para cuidar da saúde, fazer uns exames depois daquela crise, eu complementei a brincadeira. Ela não riu porque não ria da piada dos outros. Fez cara séria e começou um discurso bem melodramático: que eu não lhe dava o devido valor, que eu nem sabia quem ela era de verdade, que eu sumisse porque não precisava de homem nenhum, que a esquecesse, pois ela faria o mesmo. Terminou a cena jogando um copo de água com gelo na minha cara. Rimos muito, foi hilário.<br />
        Aquele foi o último dia que nos vimos. Eu não liguei mais para ela, ela nunca mais me ligou. E não tínhamos ninguém em comum para que pudesse perguntar notícias dela. Até onde eu sei, deve estar bem. Depois, refletindo, percebi que fiquei sem saber se aquela loucura era fingida, ou se era a tristeza que ela fingia.</p>
<p align="left"><a class="tt" href="http://twitter.com/home/?status=Bipolar+http://twurl.nl/hsv0dy" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-twitter-micro3.png" alt="[Post to Twitter]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://delicious.com/post?url=http://segundaasexta.com.br/2009/04/15/bipolar/&amp;title=Bipolar" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-delicious-micro3.png" alt="[Post to Delicious]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://digg.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2009/04/15/bipolar/&amp;title=Bipolar" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-digg-micro3.png" alt="[Post to Digg]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://stumbleupon.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2009/04/15/bipolar/&amp;title=Bipolar" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-su-micro3.png" alt="[Post to StumbleUpon]" border="0" /></a>&nbsp; </p>]]></content:encoded>
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		<title>Sentidos</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Apr 2009 03:30:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiana Maciel Ellwanger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Terça]]></category>
		<category><![CDATA[Loucura]]></category>

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		<description><![CDATA[        Sentada na janela, Laila apreciava as gotas que, unidas, faziam o chão refletir as árvores. “A chuva é linda. Prata”, disse em voz alta para quem? Já tinha sentido o cheiro anunciador e sorrira.
        Sacou, às gargalhadas, cada peça de roupa e, nua, banhou-se. Com os pingos, dor leve e prazer. Ao ser tocada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>        Sentada na janela, Laila apreciava as gotas que, unidas, faziam o chão refletir as árvores. “A chuva é linda. Prata”, disse em voz alta para quem? Já tinha sentido o cheiro anunciador e sorrira.</p>
<p>        Sacou, às gargalhadas, cada peça de roupa e, nua, banhou-se. Com os pingos, dor leve e prazer. Ao ser tocada pela água, sentia, em separado, cada parte do corpo. Gostava de sentir o bico do seio direito alvejado pelas gotas firmes. Só elas poderiam dar a ela este gozo. Abriu os braços para trás e expôs o colo para a tempestade. “Escorra por mim”.</p>
<p>         Contra o arrepio, dançou. O frio era substituído pelo contato com a água ao se alongar. Só sentia. Seu pêndulo estava parado no encanto. Vida, obrigada. Quis rodar pela poça, correndo. Retribuía à chuva com pulos no espelho que não quebra, só distorce. Voltem para o céu, Seus Pingos. Fechou os olhos e viu os choques, coloridos, das gotas que subiam com a força dos seus pés contra as que precipitavam. Era a gravidade, a Toda-Poderosa. “Sou sua discípula!”; riu alto. A chuva agradecia. Que seria da tempestade, sem ninguém para impressionar?, relembrou da conversa de Zaratustra com o Sol. Estava sublimada.</p>
<p>        Abriu a boca, de beber. Gosto prateado. O coração disparou com o trovão. Ah, o tempo, mesmo nome, vários sentidos. Sentidos. Entrou para buscar aquele chocolate. Com ele molhado, agradeceu mais uma vez, antes da mordida plena. “Obrigada língua”.</p>
<p>       Gargalhou e ouviu seu som, com mais vontade de ouvir. Urinou para lembrar daquele momento, todos os dias, quando estivesse presa entre as paredes do banheiro. Suspiros de perfeição enquanto o líquido quente escorria entre as coxas. Mais chocolate, desejante que era.</p>
<p>        As janelas da vila estavam fechadas. Os vizinhos e a mãe preferiam Imbé-praia-suja. Achou ter sentido na pele um olhar diagonal pela fresta da janela. Não, não havia ninguém, decidiu. Mas a incerteza da observação alheia atravancou seus sentidos. A concentração, Droga, voltara. Melhor entrar. Triste com o fim do ensejar, foi para o banho quente. De novo, aprisionada.    </p>
<p> <br />
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx</p>
<p> </p>
<p>        Fernando tentava apressado escolher a roupa para ir à exposição de animais, alternativa que lhe restara ao decidir não ir com Bruna à praia. Ao ouvir o barulho de chuva, lamentou. Olhou pela fresta da janela, impossível sair agora. Seus planos tinham ido por água abaixo: riu do trocadilho infame.</p>
<p>        Sentou na cama para decidir. Ligou a TV e discordou da Garota Verão daquele ano. Esticado, olhou sua cueca e lembrou do olhar atrevido de Bruna, presente. Achou ter ouvido risos lá fora e, com eles, a certeza da solidão feliz se fora. Gargalhadas? Resolveu conferir. Olhou pela fresta e viu ela, inteira, como era mesmo o nome da vizinha nova?</p>
<p>        A surpresa foi, aos poucos, substituída pela admiração, plena. Gorda e sensual ela era. Seios volumosos, pêlos poucos. A cintura grossa reforçava suas formas de baixo acústico. Estava arrepiada, viu ao focar o bico do seio esquerdo. Tentava adivinhar a próxima ação da mulher que, agora, bebia água da chuva. Ao vê-la entrar em casa, quis mais. Errou. Alívio quando saiu novamente.</p>
<p>        Ao ver a embalagem prateada na sua mão, pensou que nunca teria adivinhado o chocolate. Mulheres. O que ela tinha usado? Aquilo não era possível sem drogas. Obrigada língua? Louca. Está indo longe demais.</p>
<p>        Gostava das gargalhadas, autênticas. O ventre dava sinais de excitação. Acariciou-o olhando para o sexo dela. Ao abrir os olhos novamente, viu o amarelo nas coxas graúdas. Não acredito que está fazendo isso na nossa vila, quem você acha que é? Perturbado queria poder intervir. Em seguida, achou curioso comer e urinar ao mesmo tempo. Nunca tinha feito isso. Mulheres. </p>
<p>         Não, ela estava olhando para ele. Abaixou-se breve. Torceu para que ela não tivesse visto. Olhou o quarto sem luz e agradeceu em pensamento. Ela nunca teria certeza da reprimenda. Nem do desejo, confortou-se. Confuso ao vê-la entrar, ambíguo. Gostava da palavra.</p>
<p>         Vestiu a roupa usada e passou em frente a casa dela. Queria, contraditório, ser notado. Sentia a chuva desconfortável no cabelo e, passos lentos, notou que a luz do banheiro dela estava acesa. Quis entrar e possuí-la, à força. A cena que depressa se formou em sua mente era instigante. Ela nunca saberia. Foi em direção ao ponto de ônibus, para juntar-se aos animais, que era.</p>
<p align="left"><a class="tt" href="http://twitter.com/home/?status=Sentidos+http://twurl.nl/6rjj3n" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-twitter-micro3.png" alt="[Post to Twitter]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://delicious.com/post?url=http://segundaasexta.com.br/2009/04/14/378/&amp;title=Sentidos" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-delicious-micro3.png" alt="[Post to Delicious]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://digg.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2009/04/14/378/&amp;title=Sentidos" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-digg-micro3.png" alt="[Post to Digg]" border="0" /></a>&nbsp; <a class="tt" href="http://stumbleupon.com/submit?url=http://segundaasexta.com.br/2009/04/14/378/&amp;title=Sentidos" title="[BLANK]"><img class="nothumb" src="http://segundaasexta.com.br/wp-content/plugins/tweet-this/icons/tt-su-micro3.png" alt="[Post to StumbleUpon]" border="0" /></a>&nbsp; </p>]]></content:encoded>
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		<title>Estrogonofe</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Apr 2009 12:51:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciene Braga</dc:creator>
				<category><![CDATA[Segunda]]></category>
		<category><![CDATA[Loucura]]></category>

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		<description><![CDATA[Olá, meu nome é Marcus e sou um louco. Isso quer dizer que sou capaz de falar tudo o que penso, cometer muitas insanidades: posso matar sem motivo e premeditação, trafegar na contramão com meu carro sem freios, cumprimentar rainhas e debochar das religiões. Não tenho televisão e só compro jornal para forrar o canil.E [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá, meu nome é Marcus e sou um louco. Isso quer dizer que sou capaz de falar tudo o que penso, cometer muitas insanidades: posso matar sem motivo e premeditação, trafegar na contramão com meu carro sem freios, cumprimentar rainhas e debochar das religiões. Não tenho televisão e só compro jornal para forrar o canil.E isso me parece bem honesto.Também posso preferir me masturbar a fazer sexo com você, tão sensual e rigorosamente aprovada pelos punheteiros mais exigentes. Sim, posso dizer ao meu chefe que ele comete erros púberes e que parece ter mesmo razão quando se ausenta para paquerar a mocinha do café, casada com um cara não muito tolerante. Eu penso, às vezes, em sodomizá-lo. Tenho curiosidade sobre o som que ele, digamos, emitiria. Poderia explodir ônibus e seus motores infernais. Fácil. Num piscar de olhos. Dançar sobre o beiral de andar alto, gritar com o policial que cumpre hora na rua clara. Entro no cinema sem pagar e me escondo no escuro, antes da sessão. Sempre me acham, o que me custa o ingresso em outra sala, obviamente. Chorar, eu posso, de raiva muita ou de alegria contida e incrédula. Sim, fumarei um cigarro ortodoxo sobre a mata no outono, jogarei meu celular no esgoto e dançarei sobre o lepitopi. Meu filho, meu bebê, guardo na gaveta uma carta em que o culpo por muitas noites insuportáveis. E algumas humilhações. Ah, que sorriso fofo, dizem os que só apreciam o sorriso e desconhecem o timbre das cólicas boêmias.Também agradecerei com um aceno bêbado de vinho tinto: &#8220;Sim, senhor juiz&#8221;. Por momentos, esqueço o meu nome, mas ele é o mais fácil de lembrar. Queria que ficasse para trás, mas sempre volta. Juro. Agora leio um conto. Fico assim, com o pensamento perdido quando acordo, pela manhã. O telefone toca e é minha mãe, efusiva: &#8220;Estou tão feliz, Maristela, você passou no concurso e logo no primeiro! Já liguei para os seus avós e estamos todos muito orgulhosos, querida. Queremos que venha almoçar no domingo. Vou preparar seu prato predileto: estrogonofe de frango&#8221;.</p>
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